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Crédito sustentável no agro brasileiro chega a US$ 954 milhões, mas Amazônia recebe apenas 2% dos recursos.

O financiamento da agropecuária sustentável no Brasil alcançou quase US$ 1 bilhão, mas a Amazônia recebeu apenas uma fração desse montante, evidenciando desigualdades no acesso a recursos.

Crédito sustentável no agro brasileiro chega a US$ 954 milhões, mas Amazônia recebe apenas 2% dos recursos.

Previa: O financiamento da agropecuária sustentável no Brasil alcançou quase US$ 1 bilhão, mas a Amazônia recebeu apenas uma fração desse montante, evidenciando desigualdades no acesso a recursos. O desafio agora é ampliar os investimentos na região para garantir uma transição produtiva mais equilibrada.

O financiamento voltado para a agropecuária sustentável no Brasil atingiu um novo marco, com US$ 954 milhões mobilizados desde 2021. Esse valor aproxima o setor da histórica marca de US$ 1 bilhão, refletindo um avanço significativo nas iniciativas de produção livre de desmatamento.

Os dados são do relatório anual do IFACC (Inovação Financeira para Amazônia, Cerrado e Chaco), uma coalizão que reúne bancos, investidores e empresas do agronegócio. O objetivo é ampliar o acesso a capital para produtores que se comprometem com a produção sustentável, sem a conversão de vegetação nativa.

Até o momento, 20 instrumentos financeiros foram estruturados por 26 instituições participantes, resultando no financiamento de aproximadamente 668 mil hectares de produção sustentável de soja e pecuária. Essa área é mais de quatro vezes maior que o território do município de São Paulo.

Desigualdade na distribuição de recursos

Embora os investimentos tenham crescido, o relatório revela uma concentração alarmante dos recursos. Desde 2021, 97,8% do total foi direcionado ao Cerrado, especialmente para a cadeia da soja, enquanto a Amazônia recebeu apenas 2% desse montante.

Os recursos destinados à Amazônia foram utilizados principalmente em projetos de agroflorestas e iniciativas comunitárias focadas no manejo sustentável de produtos da biodiversidade, como castanha e açaí. Essa disparidade destaca as limitações do modelo atual de financiamento verde.

As cadeias produtivas consolidadas oferecem maior previsibilidade de retorno, enquanto os empreendimentos da bioeconomia amazônica enfrentam desafios como ciclos produtivos mais longos e menor escala, dificultando a atração de capital privado.

Iniciativas para atrair investimentos

Para enfrentar essas barreiras, o IFACC lançou, em novembro de 2025, o CCAT (Capital Catalítico para a Transição Agrícola), um fundo com aporte inicial de US$ 50 milhões. O objetivo é reduzir riscos e facilitar a entrada de novos recursos no setor.

O CCAT atua assumindo as parcelas de maior risco das operações financeiras, criando uma camada de proteção para investidores privados. A expectativa é que cada dólar investido pelo fundo mobilize outros quatro do mercado privado, ampliando a capacidade de financiamento da transição sustentável.

Além disso, o programa Eco Invest, coordenado pelo Tesouro Nacional, mobilizou cerca de R$ 16,5 bilhões em recursos para a recuperação de áreas degradadas, reforçando a importância da combinação entre capital público e privado para acelerar práticas sustentáveis no campo.

Perspectivas futuras

O IFACC projeta um crescimento expressivo, com a meta de mobilizar US$ 10 bilhões em financiamentos sustentáveis até 2030. Para isso, serão necessários pelo menos US$ 2 bilhões em capital catalítico, que pode atrair recursos do mercado convencional.

Entretanto, fatores externos, como incertezas políticas e a continuidade de programas públicos, podem influenciar o ritmo de expansão do financiamento sustentável. A criação de instrumentos financeiros que operem independentemente de ciclos políticos é crucial para garantir a continuidade dos avanços.

Os dados apresentados pelo IFACC ressaltam que o crédito sustentável está se consolidando como uma ferramenta essencial para impulsionar a produção agropecuária de baixo impacto ambiental no Brasil. Contudo, o desafio de ampliar os investimentos na Amazônia continua a ser um tema central nas discussões sobre o futuro da bioeconomia e da agricultura sustentável.

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