Previa: A recente redução no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) gera preocupações entre os produtores brasileiros, que precisam revisar suas apólices antes da safra 2026/27 para mitigar riscos financeiros.
A diminuição dos recursos destinados ao PSR, com um corte adicional de R$ 56,3 milhões, ocorre em um momento crítico para o agronegócio. Com um bloqueio anterior de aproximadamente R$ 461,7 milhões, a situação exige que os produtores reavaliem suas estratégias de proteção patrimonial para evitar perdas financeiras significativas.
Dados do Observatório do Crédito e do Seguro Rural, da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), revelam que a área segurada no Brasil caiu drasticamente, de cerca de 13,45 milhões de hectares em 2021 para aproximadamente 3,2 milhões de hectares em 2025. Essa retração acentua a necessidade de uma gestão mais eficaz dos riscos enfrentados no campo.
Revisão das Apólices é Fundamental
Clara Mendes, Head de Seguros da Agree, enfatiza que ter uma apólice não garante proteção adequada. É crucial que os produtores verifiquem se os bens segurados estão corretamente avaliados e se as coberturas refletem a realidade operacional de suas propriedades.
Um dos principais problemas identificados é a renovação automática das apólices sem atualização dos valores dos bens. Máquinas e estruturas podem ter sua valorização ignorada, resultando em indenizações insuficientes em caso de sinistros.
Além disso, a cláusula de rateio pode deixar o produtor com parte do prejuízo, caso o valor segurado seja inferior ao valor real do bem. Essa situação reforça a importância de revisar o Limite Máximo de Indenização (LMI) das apólices, que deve acompanhar a evolução patrimonial da propriedade.
Diagnóstico Preventivo e Planejamento
Com a incerteza em relação aos recursos do PSR, um diagnóstico completo é recomendado antes da contratação ou renovação de seguros. Esse diagnóstico deve incluir a identificação de ativos descobertos, revisão dos valores segurados e análise das garantias vinculadas ao crédito rural.
- Levantamento das áreas efetivamente protegidas;
- Identificação de ativos descobertos;
- Revisão dos valores segurados;
- Análise das garantias vinculadas ao crédito rural;
- Verificação de riscos que podem comprometer o fluxo financeiro da safra.
Segundo Mendes, o seguro deve ser parte da estratégia financeira da propriedade, não apenas uma exigência para financiamento. A proteção patrimonial precisa ser planejada com a mesma atenção dedicada ao custeio da safra.
Com a diminuição da subvenção governamental, a gestão preventiva dos riscos torna-se ainda mais crucial. A revisão das apólices pode corrigir falhas de cobertura e adequar os limites de indenização às necessidades reais da operação agrícola.
Decisões informadas e baseadas em análises técnicas podem ajudar a preservar o patrimônio dos produtores e garantir maior estabilidade financeira diante dos desafios climáticos e econômicos esperados para a próxima safra.











