Previa: A recente redução no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) gera preocupações entre os produtores, que precisam revisar suas apólices para a próxima safra. Especialistas alertam que uma gestão adequada do seguro é essencial para minimizar riscos financeiros no campo.
A diminuição dos recursos destinados ao PSR, que sofreu um corte de R$ 56,3 milhões, eleva a preocupação entre os agricultores. Com um bloqueio anterior de cerca de R$ 461,7 milhões previsto para 2026, a proteção financeira no agronegócio se torna cada vez mais escassa. Nesse contexto, a revisão das apólices e a avaliação dos riscos patrimoniais são etapas cruciais para evitar prejuízos em caso de eventos adversos.
Dados do Observatório do Crédito e do Seguro Rural da FGV Agro revelam que a área agrícola coberta por seguro caiu drasticamente, de aproximadamente 13,45 milhões de hectares em 2021 para cerca de 3,2 milhões de hectares em 2025. Para que o Brasil retome os níveis de proteção de quatro anos atrás, seriam necessários cerca de R$ 2,37 bilhões em subvenções.
Importância da Gestão de Risco no Seguro Rural
Embora a redução da subvenção seja um tema central, a qualidade da proteção contratada também deve ser analisada. Clara Mendes, Head de Seguros da Agree, enfatiza que o seguro rural deve ser visto como uma ferramenta estratégica, essencial para a continuidade do negócio, e não apenas uma formalidade vinculada ao crédito agrícola.
“Ter uma apólice contratada não significa, necessariamente, estar protegido. É preciso avaliar se os bens estão corretamente segurados e se as coberturas correspondem aos riscos reais da propriedade”, explica Mendes.
Um dos principais desafios enfrentados pelos produtores é a renovação automática de contratos sem uma reavaliação do patrimônio rural. Máquinas, estruturas de armazenagem e frotas podem ter suas avaliações alteradas ao longo do tempo, e a falta de atualização nas apólices pode resultar em limitações quando mais se precisa do seguro.
Consequências de Coberturas Insuficientes
Outro aspecto crítico é a cláusula de rateio, que pode reduzir a indenização quando o valor segurado de um bem está abaixo do valor de mercado. Isso pode deixar o produtor com parte do prejuízo em situações de sinistro, especialmente em equipamentos e estruturas que não foram devidamente atualizados.
Além disso, o Limite Máximo de Indenização (LMI) deve refletir a real exposição financeira da propriedade. Um limite mal dimensionado pode resultar em uma cobertura inadequada, deixando o produtor vulnerável em áreas essenciais de sua operação.
Diagnóstico e Planejamento para a Próxima Safra
Diante de um cenário de maior seletividade no crédito rural e custos elevados de produção, é recomendável que os produtores realizem um diagnóstico completo antes de renovar ou contratar novos seguros. Essa análise deve incluir a verificação dos ativos protegidos, riscos descobertos e a adequação dos valores segurados.
- Identificar quais ativos estão protegidos;
- Verificar riscos não cobertos;
- Analisar apólices vigentes;
- Evitar contratos duplicados;
- Atualizar valores segurados;
- Considerar o impacto financeiro de um eventual sinistro.
Com um planejamento adequado, é possível tomar decisões mais informadas e reduzir vulnerabilidades financeiras. A proteção patrimonial deve ser uma prioridade, assim como o planejamento financeiro da safra.
A Importância da Consultoria em Seguros
A revisão técnica das apólices pode revelar falhas de cobertura e oportunidades de reorganização. Em alguns casos, pode ser necessário contratar uma nova proteção, enquanto em outros, ajustes nas coberturas existentes podem aumentar a eficiência do seguro.
“O objetivo da consultoria é permitir que o produtor tome decisões baseadas em informações técnicas. É fundamental compreender os riscos reais da propriedade e garantir que a proteção contratada esteja alinhada à operação”, conclui Mendes.
Com a redução dos recursos públicos e a queda da área segurada, a gestão de riscos se torna uma parte essencial do planejamento agrícola. Produtores que realizarem uma revisão detalhada de suas apólices estarão mais bem preparados para enfrentar um cenário de incertezas financeiras e climáticas na próxima safra.











