Previa: A colheita da safrinha de milho 2026 avança no Centro-Sul do Brasil, mas permanece abaixo da média histórica. A umidade dos grãos tem sido um fator limitante, especialmente em Goiás, onde os produtores enfrentam desafios climáticos.
A colheita da segunda safra de milho 2026 está em andamento nas principais regiões produtoras do Brasil, mas o ritmo é inferior ao dos últimos anos. De acordo com levantamento da Safras & Mercado, até o dia 17 de julho, apenas 33,6% da área cultivada no Centro-Sul foi colhida. Esse número é menor que os 39,5% registrados no mesmo período da safra anterior e também abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 41,5%.
As condições climáticas têm sido um fator crucial para esse atraso. A umidade elevada dos grãos em várias regiões exige que os produtores adotem cuidados especiais para garantir a qualidade da colheita. Essa situação tem gerado preocupações sobre o impacto na produção e na comercialização do milho.
Colheita desigual entre os estados
O Centro-Sul do Brasil ocupa uma área estimada em 15,739 milhões de hectares para a segunda safra. Mato Grosso lidera o avanço da colheita, com 52,7% da área já colhida, seguido por Paraná (21,9%), Goiás (16,5%), Mato Grosso do Sul (16,6%), São Paulo (7,8%) e Minas Gerais (5,3%). Apesar do tempo firme em algumas regiões, a umidade dos grãos continua a ser um dos principais obstáculos.
Na região do Matopiba, que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a colheita atingiu 31,8% da área cultivada, estimada em 1,341 milhão de hectares. O avanço é desigual entre os estados, com a Bahia liderando com 62,7% e o Maranhão com apenas 20,7%. Em comparação ao ano anterior, quando 50,6% da área já havia sido colhida, o atraso é evidente.
Desafios em Goiás
Em Goiás, um dos principais estados produtores, a colheita também avança lentamente. Na área de atuação da Cooperativa Comigo, que cobre cerca de 1,1 milhão de hectares, aproximadamente 40% da safra foi colhida. Em Rio Verde, o principal polo agrícola da cooperativa, a colheita alcança cerca de 35% dos 400 mil hectares cultivados.
O departamento técnico da cooperativa aponta que, apesar do tempo seco, as baixas temperaturas noturnas têm dificultado a perda de umidade dos grãos. As madrugadas com temperaturas entre 15°C e 16°C, combinadas com máximas de 32°C durante o dia, mantêm os grãos acima do ponto ideal para colheita, levando muitos produtores a esperar por melhores condições.
Impacto na produtividade e na produção
A produtividade da safrinha varia significativamente nas regiões atendidas pela Comigo, com rendimentos entre 3.600 e 7.800 quilos por hectare. Em Rio Verde, a produtividade média é de 6.600 quilos por hectare, superior à média regional. No entanto, o cenário estadual indica uma redução na produtividade em relação à safra anterior.
As estimativas para a produção de milho em Goiás apontam para 11,986 milhões de toneladas em 2026, uma queda significativa em relação às 16,058 milhões de toneladas colhidas em 2025. Essa redução ocorre mesmo com um aumento de 1,2% na área cultivada, que deve passar de 2,392 milhões para 2,421 milhões de hectares.
Mercado atento ao cenário da colheita
Com a colheita avançando abaixo da média histórica, o mercado está atento às condições climáticas nas próximas semanas. A velocidade da colheita será crucial para o fluxo de oferta, logística de armazenamento e comercialização do milho. Além disso, a produtividade final das lavouras terá um impacto direto na disponibilidade do cereal no mercado interno e nas exportações brasileiras, fatores que continuarão a ser monitorados por produtores e cooperativas ao longo da temporada.











