Previa: Nove cientistas da Fiocruz, que tiveram seus direitos políticos cassados durante a ditadura militar, foram homenageados com o título de pesquisadores eméritos. A cerimônia ocorreu no Dia Nacional da Saúde, relembrando a importância da ciência e da democracia.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) prestou uma homenagem significativa a nove cientistas que enfrentaram a repressão durante a ditadura militar no Brasil. Na quarta-feira, 5 de agosto, os pesquisadores receberam o título de pesquisadores eméritos, um reconhecimento tardio por suas contribuições à ciência e à saúde pública, que foram interrompidas pelo regime autoritário.
O evento foi realizado nas escadarias do Castelo Mourisco, sede da Fiocruz no Rio de Janeiro, em uma data que coincide com o Dia Nacional da Saúde e o aniversário do médico Oswaldo Cruz, patrono da instituição. A cerimônia simboliza não apenas a reintegração dos cientistas, mas também um ato de resistência e valorização da ciência em tempos de autoritarismo.
Reintegração e memória histórica
O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, destacou a importância do reconhecimento, lembrando que os cientistas foram afastados de suas funções pelo Ato Institucional 5 (AI-5) e proibidos de atuar em instituições públicas pelo AI-10. A reintegração ocorreu em 1986, durante o processo de redemocratização do Brasil.
Moreira enfatizou que o ato de reintegração foi um gesto político poderoso, simbolizando a luta contra a opressão e a defesa da ciência. Ele ressaltou que a preservação da memória desses cientistas é crucial para reafirmar os valores democráticos e a importância da ciência na sociedade.
“Contra o negacionismo e as ‘fake news’ que ainda nos rondam até o dia de hoje, reafirmamos a ciência como base da democracia”, afirmou Moreira, sublinhando a relevância da ciência para o desenvolvimento justo e equânime do país.
Os homenageados, que incluem nomes como Augusto Cid de Mello Perissé e Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, foram fundamentais para o avanço da ciência no Brasil. Suas pesquisas abordaram questões críticas de saúde pública e contribuíram para a formação de novas gerações de cientistas.
Legado e impacto na ciência brasileira
Além da entrega dos títulos, a cerimônia também homenageou a madre Maria de Fátima, chanceler da Universidade Santa Úrsula, que apoiou cientistas cassados durante a ditadura. O evento reforçou a importância do apoio institucional e da solidariedade em tempos de repressão.
Os cientistas homenageados desempenharam papéis cruciais em suas áreas de atuação, contribuindo para a formação de uma base científica sólida no Brasil. A cerimônia não apenas reconheceu suas trajetórias, mas também destacou a necessidade de um compromisso contínuo com a ciência e a democracia.
O reconhecimento tardio desses pesquisadores é um passo importante para a reparação histórica e a valorização da ciência como um bem público. A homenagem serve como um lembrete da importância de proteger os direitos humanos e a liberdade de expressão, essenciais para o progresso científico e social.











