Previa: A China implementou novas regras para a importação de proteína animal, exigindo maior controle e rastreabilidade das empresas brasileiras que exportam carne de frango. Essas mudanças visam fortalecer a segurança alimentar e a transparência na cadeia produtiva.
A recente decisão da China de endurecer as regras para importação de proteína animal impacta diretamente as empresas brasileiras do setor avícola. Com um novo modelo regulatório, o país asiático intensifica a fiscalização sobre toda a cadeia produtiva, exigindo sistemas robustos de rastreabilidade e autocontroles. Essa mudança representa um desafio significativo para os exportadores que buscam acessar o maior mercado consumidor do mundo.
Nova regulamentação da China amplia controle sobre exportadores
O governo chinês tem reformulado sua política de importação de alimentos com o objetivo de reduzir a dependência externa e fortalecer a produção local. A nova abordagem substitui avaliações pontuais por uma análise abrangente das empresas exportadoras, considerando toda a cadeia de produção, desde o campo até o processamento industrial.
De acordo com a consultora Maria Eduarda Blaiklock, essa mudança marca uma nova fase para os exportadores brasileiros. A China está se afastando de um mercado focado apenas no volume e passando a priorizar aspectos regulatórios, exigindo que o Brasil transforme seus processos em informações auditáveis e verificáveis.
Rastreabilidade passa a ser requisito estratégico para manter mercado
A alteração regulatória, que substitui o Decreto 248 pelo Decreto 280, modifica a forma como as autoridades chinesas avaliam os estabelecimentos habilitados para exportação. A fiscalização agora não se limita ao produto final, mas também considera a eficiência dos sistemas de gestão e controle sanitário das empresas.
Frigoríficos, cooperativas, integradoras e produtores rurais precisarão demonstrar, por meio de documentação organizada, todas as etapas do processo produtivo. A rastreabilidade se torna, assim, um diferencial competitivo crucial para a permanência no mercado chinês.
Controle deverá alcançar toda a cadeia da avicultura
As novas exigências não se restringem apenas às indústrias frigoríficas. O controle deve abranger toda a cadeia de produção, incluindo propriedades rurais, transporte, manejo e alimentação animal. O objetivo é garantir que qualquer ocorrência sanitária possa ser rapidamente identificada e rastreada, aumentando a transparência para as autoridades chinesas.
Maria Eduarda Blaiklock destaca que não é suficiente analisar apenas a qualidade do produto final. Todo o sistema de integração precisa funcionar como uma ferramenta de rastreabilidade e controle, com práticas registradas e transformadas em dados verificáveis.
Conbrasfran 2026 discutirá impactos das novas exigências chinesas
O tema das novas exigências será um dos principais pontos de discussão na Conbrasfran 2026, que ocorrerá em Gramado (RS) entre os dias 23 e 25 de novembro. O evento reunirá especialistas e líderes do setor para debater as tendências do mercado internacional.
Durante a conferência, será apresentada uma análise sobre o novo posicionamento da China no comércio global de proteína animal e os impactos para os exportadores brasileiros. A expectativa é discutir estratégias para adequação às novas exigências regulatórias.
Competitividade passa a depender também de governança e transparência
José Eduardo dos Santos, presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), afirma que a mudança amplia o conceito de competitividade internacional. Embora a eficiência produtiva e a qualidade sanitária sejam fundamentais, agora é necessário comprovar, por meio de informações organizadas, todos os controles existentes ao longo da cadeia produtiva.
A evolução das exigências chinesas reflete uma tendência crescente em diversos mercados internacionais, onde a qualidade do produto é acompanhada por uma demanda por maior transparência sobre a origem e os processos produtivos. Para a avicultura brasileira, investir em rastreabilidade digital e governança se tornará cada vez mais estratégico para preservar mercados e atender aos novos padrões do comércio global de proteína animal.











