Previa: A certificação da lã gaúcha está transformando a ovinocultura no Rio Grande do Sul, com quase 600 mil quilos certificados em quatro safras, aumentando a renda dos produtores e a competitividade no mercado.
A certificação da lã produzida no Rio Grande do Sul marca um novo capítulo para a ovinocultura brasileira. O Programa de Certificação da Lã Gaúcha, coordenado pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), já certificou quase 600 mil quilos de lã em quatro safras, o que tem agregado valor à produção e melhorado a remuneração dos produtores. Os dados foram apresentados durante o 3º Dia da Lã, realizado em Sant’Ana do Livramento (RS), um evento que reuniu diversos stakeholders do setor.
Certificação fortalece a competitividade da lã brasileira
Durante a abertura do evento, Edemundo Gressler, presidente da Arco, enfatizou que a certificação representa um marco na recuperação da cadeia produtiva da lã, que havia perdido relevância na renda das propriedades rurais. O programa combina o conhecimento tradicional dos criadores com as exigências do mercado, incorporando critérios técnicos como classificação e análise da qualidade da fibra.
O Rio Grande do Sul é responsável por mais de 90% da produção nacional de lã com potencial têxtil, tornando a certificação uma ferramenta essencial para aumentar a competitividade e atender a mercados mais exigentes.
Mercado internacional da lã apresenta sinais de recuperação
O cenário global para a lã também mostra sinais de recuperação. Especialistas presentes no evento destacaram que, após anos de instabilidade devido a fatores como a guerra comercial entre Estados Unidos e China e a pandemia, a demanda pela fibra aumentou. A diminuição dos estoques globais e a redução dos rebanhos ovinos em vários países têm limitado a oferta, beneficiando os produtores.
Com a escassez de matéria-prima, compradores estão voltando ao mercado, buscando diferentes tipos de lã, o que favorece a diversidade de raças e padrões de fibra.
Resultados do programa e crescimento econômico
Os resultados do programa de certificação mostram uma rápida evolução. Desde o início das atividades, os volumes certificados foram significativos, com a safra 2023/24 alcançando 190.661 quilos. Apesar do avanço, os coordenadores do projeto alertam que o volume ainda representa uma pequena fração do potencial produtivo do Estado.
Os dados econômicos confirmam a eficácia do programa, com propriedades participantes registrando um aumento de 52,8% no valor líquido obtido com a comercialização da lã e um crescimento de 65,1% na receita por ovelha em 2024, em comparação ao ano anterior.
Desafios e futuro da ovinocultura
Entre as prioridades para o futuro estão a expansão da certificação e a qualificação da mão de obra. O programa busca aumentar o número de propriedades certificadas e fortalecer a presença da lã gaúcha nos mercados nacional e internacional. Novas ações de capacitação e a atualização do Manual de Normas de Acondicionamento também estão nos planos.
Além disso, representantes do setor defendem a necessidade de equilibrar a produção de carne ovina com a preservação das raças laneiras, ressaltando que a certificação pode aumentar a rentabilidade sem comprometer a qualidade da ovinocultura gaúcha.
Os resultados apresentados no 3º Dia da Lã indicam que a certificação está se consolidando como uma ferramenta estratégica para elevar a qualidade da produção e aumentar a renda dos criadores. Com maior rastreabilidade e valorização comercial, a iniciativa abre novas oportunidades para a cadeia da ovinocultura, reforçando o potencial do Rio Grande do Sul como o principal polo produtor de lã de alto padrão no Brasil.











