Previa: Com o avanço de centros de dados orbitais, empresas como SpaceX e Blue Origin estão criando novas oportunidades para o mercado de seguros, que enfrenta desafios significativos na avaliação de riscos e regulamentação.
Nos últimos anos, a corrida para estabelecer centros de processamento de dados na órbita terrestre ganhou força, com iniciativas de gigantes como SpaceX e Blue Origin. Esses projetos visam concentrar capacidade computacional fora da Terra, abrindo um novo capítulo para a tecnologia e o mercado de seguros.
A proposta mais ambiciosa vem da SpaceX, que apresentou um pedido para uma constelação de até 1 milhão de satélites. Essa infraestrutura seria utilizada para criar um centro orbital focado em computação de inteligência artificial. A empresa acredita que a combinação de energia solar e a redução dos custos de lançamento pode tornar esse modelo financeiramente viável em um prazo de dois a três anos.
Uma nova classe de risco para as seguradoras
Por outro lado, a Blue Origin, de Jeff Bezos, também está desenvolvendo planos para 51.600 satélites, mas com um cronograma mais longo. Enquanto isso, o Google investe em uma rede de satélites interligados, chamada Project Suncatcher, que também se beneficiaria da energia solar.
Esses projetos têm o potencial de transformar o mercado de seguros, que atualmente movimenta entre US$ 500 milhões e US$ 750 milhões anualmente em prêmios para coberturas espaciais. Com a possível instalação de ativos de centenas de bilhões de dólares no espaço, as seguradoras precisam se adaptar a essa nova realidade.
Patton Kline, da Marsh, destaca que as seguradoras que não se adaptarem a essa mudança podem perder oportunidades significativas. A expansão do mercado de seguros para ativos espaciais pode ser atraente, pois os riscos não estariam diretamente ligados a desastres naturais que afetam as instalações terrestres.
O problema de calcular o risco
No entanto, calcular os riscos associados a esses novos ativos não é uma tarefa simples. Andreas Berger, da Swiss Re, aponta que a combinação de inteligência artificial e infraestrutura espacial cria lacunas que dificultam a criação de produtos de seguros sustentáveis. A falta de dados históricos confiáveis e a incerteza sobre regulamentações são desafios que precisam ser superados.
Além disso, os equipamentos em órbita enfrentam riscos únicos, como falhas durante o lançamento e colisões com detritos espaciais. Diferentemente dos centros de dados terrestres, uma falha em um equipamento orbital pode exigir um novo lançamento para reparos, complicando ainda mais a situação para as seguradoras.
Com a expansão dos centros de dados orbitais, o setor segurador se vê diante de uma oportunidade multibilionária, mas a falta de regulamentação e modelos de precificação confiáveis pode atrasar o amadurecimento desse mercado. Para que esses projetos avancem, será crucial estabelecer condições que permitam a avaliação de riscos e a definição de preços adequados.











