
As primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, ambas de 18 anos, estão desaparecidas desde a madrugada do dia 21 de abril, após deixarem Cianorte, no noroeste do Paraná, em uma caminhonete preta rumo a uma festa. O convite teria partido de Clayton Antonio da Silva Cruz, apontado como a última pessoa vista com as jovens e tratado pela investigação como personagem central do caso.
Segundo informações reunidas pelo Exposed Brasil, o que inicialmente parecia um desaparecimento passou a ganhar contornos muito mais graves. Uma testemunha protegida teria indicado à polícia uma área de mata, próxima à região onde ocorreu a festa, como possível local de ocultação dos corpos. A localização apontada coincidiria com o quadrante do último sinal técnico do celular de Clayton, o que reforça a importância da área para as buscas.
A principal linha investigativa apura se as jovens foram mortas após um desentendimento de cunho sexual. De acordo com essa versão, uma das primas teria tentado defender a outra das investidas de Clayton, que não teria aceitado a recusa e reagido com violência extrema. A hipótese mencionada por fontes é de duplo homicídio por asfixia, seguido de ocultação dos corpos.
Outro ponto considerado grave é o relato envolvendo Karolainy Alves da Silva, mulher presa recentemente e localizada, segundo a apuração, em um prostíbulo em Maringá. Ainda conforme informações do caso, ela teria afirmado dentro da viatura, logo após a captura, que as jovens estavam mortas e que se tratava de um duplo homicídio. Já diante do delegado, teria optado pelo silêncio.
A investigação também busca compreender como se deu o elo entre Letycia, Sttela e Clayton. Letycia frequentava ambientes ligados ao chamado “mercado da noite” e estaria cadastrada em sites de acompanhantes. Clayton, por sua vez, além de histórico ligado ao tráfico de drogas, teria relação com uma casa de prostituição em São Paulo e circularia em ambientes onde jovens vulneráveis poderiam ser aliciadas.
Esse ponto exige cuidado: não se trata de julgamento moral sobre as vítimas. Ao contrário. A apuração expõe justamente como mulheres jovens, em situação de vulnerabilidade, podem se tornar alvo de homens predatórios, redes de exploração e criminosos que enxergam fragilidade como oportunidade.
Há ainda um elemento digital que pode mudar o rumo da investigação. Segundo a advogada da família de Sttela, o Instagram de uma das jovens teria sido acessado três dias após a suposta morte, com login e senha. Caso confirmado tecnicamente, esse acesso pode revelar quem estava com o celular, onde a conta foi aberta e se houve tentativa de apagar mensagens, fabricar uma falsa prova de vida ou destruir rastros digitais.
Na prática, a Polícia Civil pode solicitar à Meta os registros de acesso da conta, incluindo IP, dispositivo utilizado, localização aproximada e provedor de internet. Se o acesso foi feito por dados móveis, as antenas podem indicar a região onde o aparelho estava. Se foi feito por Wi-Fi, o endereço da conexão pode levar a uma casa, hotel, prostíbulo ou esconderijo.
Enquanto isso, Clayton segue foragido. Ele é descrito como um criminoso de alta periculosidade, com histórico de tráfico, associação criminosa, porte ilegal de arma e roubos violentos. A polícia também investiga sua rede de apoio, já que ele teria sido visto em Mandaguari e buscado dinheiro vivo para financiar a fuga.
O caso das primas desaparecidas já ultrapassou a dimensão de um simples desaparecimento. A possibilidade de homicídio, ocultação de cadáver, exploração sexual e até tráfico humano exige resposta urgente das autoridades.
O Exposed Brasil seguirá acompanhando o caso, cobrando buscas efetivas, responsabilização dos envolvidos e respeito à memória de Letycia e Sttela — duas jovens de 18 anos que não podem ser reduzidas à vulnerabilidade que enfrentavam, nem apagadas pela violência que podem ter sofrido.










