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Casal em Santarém impulsiona reflorestamento com produção de mudas nativas da Amazônia

Em Santarém, no Pará, um casal está transformando uma área degradada em um viveiro de mudas nativas, contribuindo para o reflorestamento da Amazônia.

Casal em Santarém impulsiona reflorestamento com produção de mudas nativas da Amazônia

Prévia: Em Santarém, no Pará, um casal está transformando uma área degradada em um viveiro de mudas nativas, contribuindo para o reflorestamento da Amazônia. O projeto, que já produz centenas de milhares de mudas, busca restaurar a biodiversidade local e promover a sustentabilidade.

Na comunidade de Jaderlândia, em Santarém, o Viveiro Florestal Ardosa se destaca como um exemplo de iniciativa voltada para a recuperação ambiental. Sidcley Matos Pereira, biólogo, e Adna Picanço, veterinária, fundaram o viveiro em 2018, buscando uma alternativa de trabalho que os mantivesse conectados ao meio ambiente, especialmente após o nascimento de sua filha, Catarina.

O casal percebeu, por meio de sua experiência com a fauna silvestre, que a recuperação de áreas degradadas é essencial para a sobrevivência dos animais. “Todo animal resgatado estava em áreas degradadas. Percebemos que não bastava soltar os animais, era preciso reflorestar”, explica Adna. Essa visão motivou a criação do viveiro, que hoje é referência em restauração ecológica na região.

Produção e Expansão

Atualmente, o viveiro cultiva mais de 110 espécies nativas da Amazônia e projeta produzir entre 200 mil e 250 mil mudas apenas no primeiro semestre de 2026, um aumento significativo em relação à média anterior de 100 mil mudas por ano. O empreendimento recebeu um investimento de R$ 190 mil da Conservação Internacional Brasil, que será utilizado para expandir a estrutura e a capacidade de produção.

O Viveiro Florestal Ardosa atende principalmente produtores que precisam recompor áreas degradadas, evitando modelos homogêneos de reflorestamento que empobrecem os ecossistemas. Sidcley destaca a importância de trabalhar com uma diversidade de espécies, garantindo que a restauração ecológica seja efetiva e beneficie a fauna local.

As sementes utilizadas no viveiro são rigorosamente rastreadas e vêm de diferentes regiões da Amazônia, incluindo Acre, Amazonas, Pará e Mato Grosso. Essa prática assegura a qualidade e a diversidade genética das mudas produzidas, essenciais para a recuperação do bioma.

Desafios do Desmatamento

Iniciativas como a do Viveiro Florestal Ardosa são cruciais diante dos desafios históricos do Brasil em conter a degradação das florestas. Dados do Relatório Anual do Desmatamento (RAD) mostram que, apesar de uma queda de 20,6% no desmatamento em 2025, o Brasil ainda perdeu quase 1 milhão de hectares de vegetação nativa.

Na Amazônia, o desmatamento caiu 23,5% em comparação a 2024, mas a floresta continua a perder cerca de 792 hectares por dia. O Pará, um dos estados mais afetados, registrou mais de 2 milhões de hectares desmatados entre 2019 e 2025, embora tenha visto uma redução de 40% no último ano.

O governo federal, por meio do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), tem como meta recuperar 12 milhões de hectares até 2030, com 4,8 milhões de hectares localizados na Amazônia. Atualmente, 39.710 hectares estão em processo de restauração, com 11.150 hectares no Pará.

Importância da Ciência na Restauração

O pesquisador Rafael Rode, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), ressalta que projetos como o Viveiro Florestal Ardosa são estratégicos para enfrentar o passivo ambiental da Amazônia. Ele enfatiza que a recuperação de áreas degradadas deve ser baseada em conhecimento científico para evitar problemas como erosão e assoreamento de rios.

Rode defende a priorização de espécies nativas no reflorestamento, alertando que o uso de espécies exóticas pode causar desequilíbrios ecológicos. O foco deve ser em soluções que conciliem a recuperação ambiental com a geração de renda para as comunidades locais.

A bioeconomia, que integra a valorização da biodiversidade com o desenvolvimento econômico, é um conceito que ganha força na Amazônia. A professora Patrícia Chaves de Oliveira, da Ufopa, destaca que as populações locais devem ser protagonistas de seus negócios, garantindo que não sejam apenas fornecedoras de matéria-prima, mas sim donas de suas iniciativas.

O fortalecimento de cadeias econômicas sustentáveis é fundamental para transformar a riqueza cultural e ambiental da Amazônia em um diferencial competitivo, promovendo inclusão social e econômica. O diretor técnico do Sebrae, Bruno Quick, afirma que projetos voltados para a bioeconomia buscam reimaginar a matriz econômica da região, valorizando a floresta em pé.

O Viveiro Florestal Ardosa exemplifica como a conexão entre a produção de mudas e a valorização das comunidades locais pode gerar um impacto positivo na preservação ambiental e na economia regional, mostrando que um futuro sustentável é possível.

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