Ter um “ataque do coração” após sentir uma forte emoção é uma associação usada corriqueiramente em produções audiovisuais, como novelas, filmes e séries. No entanto, a condição não é restrita à ficção. Conhecida como Síndrome de Takotsubo ou “síndrome do coração partido“, o problema não chega a ser classificado como ataque do miocárdio, mas necessita de atendimento médico imediato.
Marcelo Montera, cardiologista do Hospital Pró-Cardíaco, destaca que a condição é caracterizada pela mudança repentina no formato do músculo do coração — que adquire a forma de uma arapuca de polvo, semelhante a um vaso de barro, após um gatilho.
“Usualmente a Síndrome de Takotsuba está vinculada a um gatilho, que pode ser físico, como cirurgias, cardioversão elétrica ou outros procedimentos que causam estresse ao organismo, ou emocional, tanto de alegria intensa quanto de tristeza. Ambos os tipos podem desencadear o quadro”, explica o médico.
Esses gatilhos geram uma descarga noradrenérgica no corpo, que pode vir associada a outros fatores. Isso inclui idade e comorbidades do paciente, como doença vascular ou diabetes.
“Essa descarga adrenérgica vai se ligar a receptores noradrenérgicos no coração. De acordo com a distribuição desses neuroreceptores, há uma agressão do músculo cardíaco agudamente, principalmente na região da ponta do coração. Por isso, o aspecto de arapuca de polvo”, diz Marcelo.
Grupos de risco
A condição é mais comum em mulheres em fase de pré-menopausa. A principal manifestação clínica é uma sensação de aperto no centro do peito, geralmente acompanhada de alterações no eletrocardiograma.
Por esse motivo, a doença é comumente confundida com um infarto agudo do miocárdio.
“Muitas vezes, pacientes em fase pós-menopausa chegam à emergência com dor no peito e alterações no eletrocardiograma, o que pode sugerir o infarto. Nesses casos, o protocolo é encaminhar diretamente para a hemodinâmica, onde é realizado o cateterismo”, comenta o cardiologista.
Ao constatar a ausência de doença coronária que justifique o quadro, pode-se confirmar o diagnóstico da Síndrome de Takotsubo, afirma Marcelo.
Condições como o hipotiroidismo, especialmente em mulheres, também são fatores de risco, assim como o pós-parto. “Vemos pacientes pós-cesárea que desenvolvem Takotsubo. Homens jovens após forte estresse emocional podem ser acometidos pela síndrome, mas nesses casos há determinação genética.”
Quem já foi acometido pela síndrome pode ter outro episódio. Por isso, o médico recomenda controlar os gatilhos. “Se estiver com algum problema psicoemocional, deve tratar com o psicotrópico. Se tiver doença tiroidiana, é preciso ajustar a tireoide”, destaca.
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