Prévia: O mercado de café na Ásia vive um momento de contrastes, com o Vietnã aumentando suas exportações, a Índia conquistando espaço no comércio internacional e a Indonésia enfrentando uma queda nas vendas externas. A influência do fenômeno El Niño também gera preocupações sobre a produção futura.
O cenário atual do mercado internacional de café revela movimentos distintos entre os principais países produtores da Ásia. O Vietnã, por exemplo, está acelerando suas exportações, enquanto a Índia se destaca com um aumento significativo nas vendas internacionais. Em contrapartida, a Indonésia enfrenta uma redução no ritmo de embarques, o que levanta questões sobre a dinâmica do setor na região.
De acordo com uma análise da Hedgepoint Global Markets, as exportações do Vietnã atingiram 25,6 milhões de sacas entre outubro de 2025 e julho de 2026, representando um crescimento de 20,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse aumento é impulsionado pela recuperação da produção vietnamita após quatro anos de quedas consecutivas e pela alta demanda global por café robusta, uma variedade na qual o país é um dos líderes mundiais.
Expectativas para o Vietnã e o impacto do El Niño
Após um período de retração, os embarques do Vietnã voltaram a crescer em julho, com 2,4 milhões de sacas exportadas, um aumento de 16,9% em relação a junho. Essa recuperação pode estar ligada à valorização dos preços do café, que incentivou produtores a liberar estoques. Apesar de estar na entressafra, as projeções indicam que o Vietnã pode encerrar a safra 2025/26 com 29,2 milhões de sacas exportadas, um volume superior ao das últimas temporadas.
Entretanto, a intensificação do El Niño levanta preocupações sobre as condições climáticas que podem afetar a produção. A Hedgepoint revisou sua estimativa de produção para 30,1 milhões de sacas, considerando a possibilidade de condições mais secas que exigiriam irrigação adicional. Para o ciclo 2026/27, a previsão é de 28,5 milhões de sacas, um número que ainda pode surpreender positivamente.
A Índia, por sua vez, também está ampliando sua participação no mercado internacional. No acumulado da safra 2025/26, o país exportou 5,7 milhões de sacas, um aumento de 11,6% em relação ao ciclo anterior. A combinação de preços elevados e a crescente demanda por robusta têm favorecido a competitividade do café indiano. Contudo, a produção pode ser impactada negativamente pelo El Niño, o que poderia limitar o crescimento das exportações no próximo ciclo.
Desafios para a Indonésia e o papel do robusta
Na Indonésia, a situação é diferente, com as exportações caindo para 1,5 milhão de sacas entre abril e junho, uma diminuição de 26,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse recuo é atribuído ao atraso no início da colheita e à redução dos estoques disponíveis. Apesar da queda, as exportações ainda estão acima da média histórica de 10 anos, e espera-se uma recuperação à medida que a colheita avança.
Para a temporada 2026/27, a Hedgepoint estima que a Indonésia exportará 8,6 milhões de sacas, um número inferior ao das 9,8 milhões de sacas do ciclo anterior, mas ainda assim significativo. As lavouras indonésias foram afetadas por chuvas intensas, que prejudicaram a florada e o potencial produtivo.
Os movimentos no Vietnã, na Índia e na Indonésia ressaltam a importância do robusta no mercado global de café. A demanda por essa variedade continua forte, e a relação de preços entre robusta e arábica influencia as decisões de compra. O Vietnã permanece como o principal destaque, enquanto a Índia se firma como um competidor crescente e a Indonésia busca recuperar seu ritmo de exportações.
Com as incertezas climáticas em jogo, o mercado de café deve permanecer atento às condições de produção nos próximos meses. O impacto do El Niño e as variações nas chuvas serão cruciais para determinar a oferta e, consequentemente, os preços internacionais do café. A dinâmica entre os principais produtores asiáticos continuará a moldar o cenário do comércio global de café.











