Prévia: O mercado de café enfrenta uma queda significativa após uma alta histórica, influenciada por melhorias climáticas e o avanço da colheita no Brasil. A desvalorização do dólar também impacta as negociações, resultando em um cenário de baixa liquidez.
O mercado de café encerra a semana em um cenário de forte volatilidade, refletindo a rápida mudança de percepção dos investidores sobre a safra brasileira. Após uma expressiva valorização na quinta-feira (9), os contratos futuros do arábica e do robusta operam em forte queda nesta sexta-feira (10). Essa queda é impulsionada pela melhora das condições climáticas no Brasil, pelo avanço da colheita e pela realização de lucros nas bolsas internacionais.
No mercado doméstico, a combinação entre a retração das cotações em Nova York e a desvalorização do dólar em relação ao real reduz o interesse dos produtores em negociar, resultando em uma oferta limitada e negócios em ritmo lento.
Bolsa de Nova York devolve parte da forte alta da véspera
O contrato setembro/2026 do café arábica na ICE Futures US recuava cerca de 7,4%, sendo negociado próximo de 322,15 centavos de dólar por libra-peso. Essa queda ocorre após o fechamento do pregão anterior em 347,90 cents/lbp, onde houve uma valorização de 12,3%, uma das maiores altas recentes do mercado.
O vencimento dezembro/2026 também registrava perdas, refletindo um movimento de realização de lucros após a forte escalada dos preços. Na ICE Europe, o café robusta acompanhava o movimento negativo, com o contrato setembro/2026 sendo negociado ao redor de US$ 3.799 por tonelada.
Clima mais favorável reduz prêmio de risco
A principal razão para a correção das cotações é a atualização das previsões meteorológicas para as regiões cafeeiras brasileiras. Nos últimos dias, o mercado incorporou um prêmio climático devido ao temor de geadas durante o inverno. Contudo, os modelos meteorológicos mais recentes indicam uma redução desse risco, diminuindo as preocupações com possíveis perdas produtivas.
Além disso, a colheita da safra brasileira segue avançando, aumentando a expectativa de maior disponibilidade de café nas próximas semanas, o que também contribui para pressionar os preços. Apesar da queda desta sexta-feira, operadores permanecem atentos às condições climáticas durante o restante do inverno.
Mercado físico registra menor liquidez
Com a queda simultânea do dólar e das bolsas internacionais, os produtores brasileiros reduziram o ritmo de comercialização nesta sexta-feira. Após aproveitarem a valorização expressiva observada na quinta-feira, muitos vendedores passaram a aguardar melhores oportunidades antes de fechar novos negócios.
Na sessão anterior, o mercado físico havia registrado forte recuperação dos preços. Entre as principais referências, o Sul de Minas (arábica bebida boa, safra nova) estava entre R$ 1.890 a R$ 1.895 por saca, enquanto o Cerrado Mineiro (arábica bebida dura) variava entre R$ 1.910 a R$ 1.915 por saca.
Estoques certificados continuam caindo
Outro fator monitorado pelo mercado é o comportamento dos estoques certificados da ICE. Na posição de 9 de julho de 2026, os estoques certificados somavam 346.419 sacas de 60 quilos, com uma redução diária de 7.842 sacas. Embora a queda dos estoques continue oferecendo suporte estrutural aos preços, a atenção do mercado está voltada principalmente para o clima brasileiro e o ritmo da colheita.
O mercado cambial também contribui para a pressão sobre as cotações domésticas. O dólar comercial operava em torno de R$ 5,11, em queda frente ao real, o que reduz a competitividade das exportações e diminui a remuneração dos produtores, colaborando para um mercado físico mais lento.
Perspectivas para o mercado do café
Apesar da forte correção desta sexta-feira, especialistas avaliam que a volatilidade deverá permanecer elevada nas próximas semanas. O comportamento do clima durante o inverno brasileiro continuará sendo o principal fator de formação dos preços, ao lado do avanço da colheita e da qualidade dos grãos.
Enquanto esses fatores permanecerem em constante mudança, o mercado do café deverá continuar registrando movimentos intensos tanto nas bolsas internacionais quanto no mercado físico brasileiro. A atenção dos investidores permanece voltada para os desdobramentos econômicos globais e suas implicações sobre o setor cafeeiro.











