Previa: O preço do café no mercado internacional está em alta devido ao atraso na colheita brasileira, estoques baixos e preocupações com a qualidade da safra. Esses fatores têm gerado uma atenção especial dos compradores e influenciado diretamente as cotações.
O início de julho trouxe uma valorização significativa para o mercado internacional do café, impulsionada por uma combinação de fatores que indicam uma oferta restrita. O atraso na colheita da safra brasileira de café arábica, causado por chuvas acima da média em junho, e a diminuição dos estoques certificados nas bolsas internacionais têm gerado incertezas e mantido os preços elevados.
Impacto das chuvas na colheita
De acordo com dados do Cepea, as chuvas atípicas em junho afetaram diretamente a colheita nas principais regiões produtoras. O excesso de umidade não só dificultou o trabalho no campo, mas também aumentou os riscos de perda de qualidade dos grãos, com o surgimento de mofo e quedas de frutos.
Além disso, especialistas alertam que essas condições climáticas podem impactar o próximo ciclo produtivo, com a possibilidade de floradas antecipadas que alterem o desenvolvimento das plantas e afetem a safra de 2027.
Atraso na colheita e estoques baixos
Até o final de junho, apenas 32% da área destinada à colheita havia sido colhida, um número inferior ao registrado no ano anterior e abaixo da média dos últimos cinco anos. Essa lentidão, somada ao risco de geadas no inverno, tem gerado um cenário de incerteza no mercado.
Os estoques globais de café arábica também permanecem em níveis críticos, com uma redução de mais de 460 mil sacas em comparação ao ano passado. Essa escassez reforça a percepção de oferta limitada e aumenta a dependência do mercado em relação à nova safra brasileira.
Valorização nas bolsas internacionais
Com a oferta apertada, os contratos futuros de café iniciaram julho com alta nas principais bolsas internacionais. Na ICE Futures US, os contratos de café arábica apresentaram ganhos significativos, refletindo a pressão de preços no mercado global.
Apesar da valorização recente, o desempenho do primeiro semestre ainda é considerado negativo, evidenciando a volatilidade do mercado e a influência das condições climáticas sobre os preços.
Perspectivas para o mercado brasileiro
No Brasil, o mercado físico de café arábica continua firme, com boa demanda e preços sustentados pela valorização internacional. No entanto, muitos produtores adotam uma postura cautelosa, comercializando apenas parte de sua produção enquanto aguardam uma definição sobre as cotações e o potencial produtivo da safra.
Com a previsão de um clima mais seco para julho, as condições para a colheita devem melhorar, permitindo um avanço nas atividades de secagem e pós-colheita. A expectativa é de que essa mudança climática favoreça a recuperação do ritmo de colheita.
O mercado de café permanece em um estado de atenção, com os investidores monitorando de perto as condições climáticas e o avanço da colheita. A continuidade da oferta restrita e a qualidade da nova safra brasileira serão determinantes para a formação dos preços nas próximas semanas.











