Previa: A colheita de café no Brasil enfrenta desafios devido às chuvas, que podem comprometer a qualidade dos grãos. O mercado internacional observa atentamente a situação, que pode impactar preços e a oferta global.
A colheita do café brasileiro se aproxima do fim, mas a atenção do mercado está voltada para os efeitos das chuvas nas principais regiões produtoras. As precipitações, que ocorreram durante o período crítico de colheita, aumentam os riscos de perda de qualidade, especialmente no café arábica, enquanto as bolsas internacionais monitoram a safra 2026/27 e as condições climáticas.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), cerca de 30% da safra de café arábica ainda não foi colhida, o que gera preocupações sobre os danos causados pela umidade excessiva. O cenário se agrava nas áreas onde as chuvas de julho foram mais intensas, justamente quando a colheita avançava para as etapas finais, incluindo a varrição dos frutos que caíram no solo.
Impacto das chuvas na qualidade do café
Pesquisadores do Cepea alertam que os grãos que ficaram expostos ao solo por mais tempo estão mais suscetíveis a condições úmidas, o que pode levar a fermentações indesejadas e à perda de qualidade sensorial. Isso pode resultar em uma redução significativa no valor comercial dos lotes.
Embora as preocupações sejam válidas, o impacto final das chuvas dependerá da avaliação dos cafés após o beneficiamento e a comercialização. A qualidade da bebida será um fator crucial para os compradores, já que alterações provocadas pela umidade podem afetar diretamente a remuneração dos produtores.
Além disso, o atraso em algumas operações de colheita pode diminuir a velocidade de entrada dos cafés no mercado, criando incertezas sobre o fluxo de oferta no curto prazo. O mercado está atento a essas dinâmicas, que podem influenciar os preços e a disponibilidade do produto.
Avanço da colheita e expectativas de mercado
Na região da Cooxupé, uma das maiores cooperativas de café do mundo, a colheita já alcançou 58,3% da safra, indicando uma aceleração nas atividades nas últimas semanas. No entanto, o ritmo ainda é considerado inferior ao de anos anteriores, principalmente devido aos atrasos causados pelas chuvas desde junho.
O mercado avalia a expectativa de uma produção brasileira mais elevada, mas também os riscos relacionados à qualidade dos grãos e às condições climáticas que se aproximam do final da safra. Essa dualidade gera um cenário de incertezas que pode impactar as negociações.
Movimentações no mercado internacional
Por volta das 9h30 (horário de Brasília), o contrato de setembro/2026 do café arábica era negociado a 340,20 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 80 pontos. Em contrapartida, o robusta viu seus preços recuarem, refletindo a volatilidade do mercado.
A redução dos estoques certificados da Bolsa de Nova York, que atingiram os menores níveis desde fevereiro de 2024, também tem contribuído para a sustentação das cotações internacionais. Essa diminuição reforça a percepção de menor disponibilidade de café no curto prazo, o que torna o mercado ainda mais sensível a novas informações sobre oferta e qualidade dos grãos.
Perspectivas futuras e riscos climáticos
Os participantes do mercado estão atentos ao comportamento climático nas principais regiões produtoras do mundo. As preocupações com eventos climáticos, como um possível El Niño, podem influenciar as perspectivas de oferta global.
No Brasil, embora existam períodos favoráveis para a continuidade da colheita, a umidade persistente mantém o alerta sobre a qualidade dos cafés que ainda precisam ser colhidos. O desempenho comercial do café na temporada 2026/27 dependerá não apenas do volume produzido, mas também da qualidade dos grãos entregues ao mercado.
Enquanto os produtores se esforçam para concluir a colheita e minimizar perdas, compradores e investidores monitoram atentamente indicadores de qualidade, estoques internacionais e condições climáticas. O equilíbrio entre uma possível recuperação da oferta brasileira e os riscos de perda de qualidade mantém o mercado de café em um cenário de alta volatilidade, com clima e produtividade como os principais fatores que direcionam as cotações globais.











