Previa: A colheita de café no Brasil avança, mas ainda apresenta atrasos significativos em relação a anos anteriores. O mercado internacional permanece volátil, com foco nas condições climáticas e nos impactos do fenômeno El Niño.
A cafeicultura brasileira está em um momento crucial da safra 2026/27. Apesar do aumento no ritmo de colheita no início de julho, impulsionado por condições climáticas mais secas, o progresso ainda está aquém do observado em anos anteriores. Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que muitas regiões produtoras ainda não atingiram 50% da área colhida, contrastando com o desempenho do ano passado.
O atraso na colheita é atribuído às chuvas que ocorreram em junho, dificultando o trabalho nas lavouras. As condições climáticas adversas impactaram diretamente a operação das máquinas em importantes polos cafeeiros do Brasil, como Minas Gerais e São Paulo.
Clima e suas implicações para a produção
Nos últimos dias, a volta do tempo seco favoreceu a colheita e a secagem dos grãos. As previsões meteorológicas indicam que as chuvas devem se concentrar na faixa leste do Sudeste, sem afetar as principais regiões cafeeiras. Não há previsão de geadas ou frio intenso, o que traz alívio temporário para os produtores.
Entretanto, especialistas alertam para os riscos a médio e longo prazo, especialmente com a influência do fenômeno El Niño. O aumento das temperaturas pode comprometer etapas essenciais do desenvolvimento da próxima safra, como a florada e o enchimento dos grãos, elevando os riscos para a produção de café em 2027/28.
Volatilidade no mercado internacional
O mercado futuro do café reflete a combinação de fatores climáticos e produtivos. Recentemente, os contratos de café arábica na ICE Futures US passaram por uma correção significativa após uma valorização expressiva. O contrato para setembro/2026 fechou a 317,60 cents de dólar por libra-peso, com uma queda superior a 9%.
Essa correção foi impulsionada por preocupações climáticas e ajustes de carteiras por investidores, mas as cotações do arábica permanecem em níveis elevados, sustentadas pela oferta limitada da safra anterior e pela lenta entrada da nova produção.
Comercialização e relação de troca
No mercado físico brasileiro, a comercialização de café continua cautelosa. Embora a demanda por arábica se mantenha ativa, muitos produtores estão vendendo apenas o necessário para compromissos financeiros imediatos. Essa postura conservadora reflete a percepção de que a disponibilidade de café da safra anterior é escassa.
Um aspecto positivo para os cafeicultores é a melhora na relação de troca entre o café e os insumos. Apesar das oscilações de preço, o café é negociado em patamares elevados, enquanto os preços de fertilizantes, como a ureia, caíram. Isso permite que os produtores adquiram mais insumos com a mesma quantidade de café, favorecendo o planejamento financeiro.
Expectativas para os próximos meses
Os próximos meses serão cruciais para a formação dos preços e as expectativas da safra futura. Fatores como o avanço da colheita, os impactos do El Niño, estoques reduzidos e a movimentação dos fundos de investimento continuarão a influenciar o mercado.
Embora os atrasos na colheita sejam uma preocupação, o cenário geral para a cafeicultura brasileira é moderadamente positivo. O clima seco deve ajudar no avanço da colheita nas próximas semanas, enquanto a oferta restrita e as incertezas climáticas globais oferecem suporte aos preços. A volatilidade, no entanto, exige atenção constante dos produtores às condições climáticas e ao comportamento dos mercados internacionais.











