Previa: Três anos após o assassinato de Mãe Bernadete, a luta por justiça e a preservação de seu legado continuam mobilizando a comunidade quilombola e defensores dos direitos humanos na Bahia.
O assassinato brutal de Mãe Bernadete, ocorrido em 2023, ainda ecoa nas vozes de familiares e ativistas. A liderança quilombola foi morta com 25 tiros em sua casa, na comunidade de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho (BA). Para honrar sua memória, uma missa será realizada no Santuário do Senhor do Bonfim, em Salvador, nesta segunda-feira (17), às 9h.
Wellington Pacífico, neto de Mãe Bernadete, expressa a dor da perda e a luta por justiça. Ele estava presente na casa no dia do crime e relembra que essa tragédia não é um caso isolado, já que seu pai, Flávio Pacífico, também foi assassinado em 2017. “São feridas que não foram reparadas”, lamenta Wellington, que busca ressignificar essa dor em ações que promovam a memória de sua avó.
O Caminho da Justiça
Atualmente, Wellington está no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos e decidiu estudar Direito para lutar por justiça para sua família e para as comunidades quilombolas. Ele destaca que os acusados pela morte de Mãe Bernadete estão presos, mas a luta pela justiça ainda não terminou. “Esperamos que a justiça seja feita”, afirma, ressaltando a importância de manter a visibilidade sobre esses crimes.
O processo judicial está em andamento, com alguns dos acusados já condenados, mas outros ainda aguardam julgamento. A expectativa da família é que a justiça seja feita em breve, já que a impunidade é uma preocupação constante entre as lideranças quilombolas.
Preservando o Legado
Para manter vivo o legado de Mãe Bernadete, a família planeja um festival de cultura e arte quilombola. Jurandir Pacífico, filho de Mãe Bernadete, está à frente da iniciativa e busca parcerias para garantir a continuidade de projetos que beneficiem a comunidade, como cursos de artesanato e cozinhas solidárias.
A promoção de eventos culturais é uma forma de resistência e de celebração da identidade quilombola, além de uma maneira de mobilizar a comunidade em torno de suas tradições e direitos.
A Luta por Direitos
A ativista Selma Dealdina, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), destaca a necessidade de maior proteção para defensores de direitos humanos. Ela estará presente na missa em homenagem a Mãe Bernadete e ressalta que a brutalidade de sua morte serve como um alerta sobre a vulnerabilidade das lideranças quilombolas.
A Conaq emitiu uma nota exigindo a responsabilização dos envolvidos no crime e a implementação de medidas de segurança para proteger as lideranças. “Lembramos a mulher que cuidava, liderava e enfrentava injustiças”, afirma a entidade, reforçando que a memória de Mãe Bernadete continua viva nas lutas atuais.
Desafios e Vulnerabilidades
A historiadora Valdecir Nascimento, fundadora do Odara – Instituto da Mulher Negra, ressalta que as mulheres negras enfrentam múltiplas formas de violência e discriminação. O racismo e o sexismo agravam a situação de vulnerabilidade das defensoras de direitos humanos, como Mãe Bernadete.
Dados da Conaq mostram que o assassinato de Mãe Bernadete não é um caso isolado, com pelo menos 22 mulheres quilombolas mortas entre 2016 e 2024. A necessidade de proteção e segurança para essas mulheres é urgente, e a Conaq propõe um plano emergencial para garantir que elas possam lutar por seus direitos sem medo.
A luta por justiça e a preservação da memória de Mãe Bernadete são fundamentais para a resistência das comunidades quilombolas. A continuidade dessa luta é essencial para garantir que as vozes das lideranças quilombolas sejam ouvidas e respeitadas.











