Previa: O mercado de boi gordo enfrenta um cenário desafiador no final de junho, com quedas nas cotações e frigoríficos reduzindo suas compras. A expectativa é de que a demanda interna e as exportações influenciem os preços nos próximos dias.
O mercado físico do boi gordo encerra junho sob pressão, com novas quedas nas cotações em importantes praças pecuárias do Brasil. O consumo doméstico enfraquecido, escalas de abate confortáveis e a diminuição das compras por parte dos frigoríficos estão limitando a recuperação dos preços da arroba.
No estado de São Paulo, os frigoríficos estão adquirindo apenas o volume necessário para manter a programação de abates, refletindo o baixo ritmo das vendas de carne bovina no atacado. Essa situação também afeta os animais destinados à exportação, especialmente o “boi China”, que perdeu valor devido à desaceleração das compras pelas indústrias habilitadas para o mercado chinês.
Pressão nos preços da arroba
Na abertura da semana, as referências em São Paulo mostraram um recuo de R$ 2,00 por arroba para o boi gordo, o boi China e a novilha. A vaca gorda apresentou uma queda ainda maior, de R$ 3,00 por arroba, sendo negociada a R$ 315,00/@.
No Oeste do Maranhão, apenas a novilha registrou desvalorização, enquanto as demais categorias mantiveram preços estáveis. Os indicadores mais recentes do mercado mostram que a pressão continua predominando, com o Indicador Cepea/Esalq fechando em R$ 338,65 por arroba à vista.
Aumento dos estoques no mercado atacadista
A desaceleração do consumo no fim do mês também impactou o mercado atacadista da carne bovina. Com menor reposição por parte do varejo e aumento da oferta, os estoques nas câmaras frigoríficas cresceram, pressionando os preços das carcaças.
Entre os principais cortes, a carcaça casada do boi capão recuou 1,5%, enquanto a do boi inteiro caiu 1,8%. A carcaça da vaca teve uma retração de 1,6%, e a da novilha recuou 1,1%.
Desvalorização das proteínas concorrentes
O enfraquecimento do consumo não se limitou à carne bovina. As proteínas concorrentes, como o frango e o suíno, também apresentaram queda de preços. O frango médio registrou desvalorização de 2,7%, enquanto o suíno especial caiu 4,4%, refletindo a diminuição das compras do varejo.
Perspectivas para julho
Analistas avaliam que o mercado permanece em um momento de equilíbrio favorável às indústrias frigoríficas. As escalas de abate continuam relativamente confortáveis, e a oferta de animais terminados é suficiente para atender à demanda atual.
As exportações de carne bovina continuam sendo um fator crucial para a sustentação dos preços. Se os embarques mantiverem um bom desempenho no início de julho e o consumo interno se recuperar após o fim do mês, a pressão sobre a arroba poderá diminuir. Até lá, espera-se um mercado cauteloso, com compradores seletivos e produtores atentos ao comportamento das exportações e da demanda doméstica.











