Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Bob Wolfenson lança livro com fotos que sobreviveram a enchentes em seu estúdio

Bob Wolfenson, renomado fotógrafo brasileiro, lança o livro "Sub/Emerso", que reúne imagens que sobreviveram a enchentes que devastaram seu arquivo.

Bob Wolfenson lança livro com fotos que sobreviveram a enchentes em seu estúdio

Previa: Bob Wolfenson, renomado fotógrafo brasileiro, lança o livro “Sub/Emerso”, que reúne imagens que sobreviveram a enchentes que devastaram seu arquivo. O trabalho reflete sobre a perda e a transformação das fotografias, que agora carregam uma nova memória.

Em 2005 e novamente em fevereiro de 2020, o estúdio de Bob Wolfenson, localizado em São Paulo, foi atingido por enchentes que destruíram cerca de 80% de seu arquivo fotográfico. Entre negativos, ampliações e polaroides, o fotógrafo enfrentou a devastação de sua obra e, em vez de descartar tudo, decidiu transformar a tragédia em arte.

O conceito de “sobrememória” surgiu desse processo. Wolfenson percebeu que as marcas deixadas pela água nas imagens não eram apenas danos, mas sim uma nova forma de expressão. “A fotografia deixou de ser apenas aquilo que eu havia fotografado para se tornar também o registro daquilo que lhe aconteceu”, explica o artista.

O Livro e Suas Histórias

Lançado recentemente, “Sub/Emerso” reúne fotografias que datam de 1970 a 2000, incluindo retratos de ícones da cultura brasileira, como Caetano Veloso, e cenas de bastidores da moda. As imagens, agora marcadas pela água, revelam uma nova narrativa, onde a enchente se torna parte da história contada.

Uma das fotografias destaca uma obra de Oscar Niemeyer, com o céu azul intacto contrastando com a lama que a envolve. As marcas alaranjadas que cobrem rostos e superfícies criam uma nova estética, que, segundo o arquiteto Guilherme Wisnik, é um “ready-made involuntário da natureza”.

Wolfenson reflete sobre o impacto emocional da perda de seu acervo. Ele admite que, ao encontrar uma foto de sua esposa danificada, decidiu não descartar mais imagens. “Naquele instante percebi que havia algo ali que me interessava visualmente”, conta. Essa nova percepção levou à criação do livro, que não apenas documenta a perda, mas também celebra a resiliência da arte.

A Relação com a Cidade e o Tempo

Embora inicialmente não tenha pensado em questões climáticas ou na cidade de São Paulo como tema, Wolfenson reconhece que esses elementos estão presentes em seu trabalho. “A enchente criou um conjunto de imagens que representam uma pequena amostra do que aconteceu com meu arquivo”, diz.

A obra também provoca uma reflexão sobre a transitoriedade da fotografia. Em um mundo cada vez mais digital, onde muitos acreditam que tudo está eternamente guardado, Wolfenson traz à tona a fragilidade da fotografia analógica. “O que aconteceu com essas imagens tem tudo a ver com o fato de serem fotografias analógicas”, afirma.

Por fim, o fotógrafo destaca que, embora a perda de seu acervo seja irreparável, o livro “Sub/Emerso” oferece uma nova perspectiva sobre o que sobreviveu. “Ele não nasceu apesar da enchente, mas por causa dela”, conclui, reafirmando a ideia de que a arte pode emergir das adversidades, transformando dor em beleza.

0 votos: 0 positivos, 0 negativos (0 pontos)

Deixe uma resposta