Prévia: O Índice Getnet de Atividade Econômica (IGet) aponta crescimento da atividade econômica em maio, impulsionado pelo varejo e serviços, mas sinais de desaceleração permanecem no horizonte.
A atividade econômica no Brasil teve um desempenho positivo em maio, com crescimento impulsionado principalmente pelo varejo e pela recuperação dos serviços prestados às famílias. Os dados são do Índice Getnet de Atividade Econômica (IGet), desenvolvido pela Getnet em parceria com o Santander.
O setor de serviços avançou 0,4% em relação a abril, enquanto o varejo ampliado registrou uma alta de 1,9%, marcando o segundo mês consecutivo de crescimento. No entanto, economistas alertam para um cenário de desaceleração gradual, influenciado pela política monetária restritiva e pelos estímulos fiscais implementados no início do ano.
Serviços avançam, mas recuperação ainda é limitada
O IGet Serviços mostrou um crescimento de 0,4% em maio. O segmento de serviços prestados às famílias teve uma expansão pelo terceiro mês consecutivo, indicando uma certa resiliência no consumo.
Entretanto, esses resultados ainda não compensam as perdas de fevereiro, com o indicador acumulando uma queda de 3,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Os resultados variaram entre os segmentos analisados, com o setor de alojamento e alimentação recuando 0,1% e outros serviços prestados às famílias apresentando uma retração de 2,3%.
Analistas indicam que os juros elevados continuam a impactar a demanda por serviços, enquanto os estímulos fiscais e a força do mercado de trabalho começam a perder intensidade.
Varejo tem segundo mês consecutivo de crescimento
O varejo ampliado destacou-se com um crescimento de 1,9% em maio, representando o segundo mês consecutivo de expansão. O varejo restrito também teve um desempenho positivo, com alta de 1,7%, sendo este o primeiro crescimento de 2026.
No entanto, os dados ainda mostram retração em relação ao ano anterior, com uma queda de 0,7% no varejo ampliado e de 6,0% no varejo restrito. Os segmentos que mais contribuíram para o crescimento incluem vestuário (+12,0%), outros artigos de uso pessoal (+4,9%) e automóveis, partes e peças (+4,0%).
Por outro lado, setores como combustíveis (-2,7%) e artigos farmacêuticos (-1,9%) apresentaram retração no mesmo período.
Política monetária e estímulos fiscais geram sinais mistos
Gabriel Couto, economista do Santander, destaca que os dados de maio revelam um crescimento, mas com diferenças significativas entre os setores. O avanço nos serviços e no varejo indica uma atividade econômica ainda resiliente.
“A abertura dos indicadores mostra um comportamento heterogêneo entre os segmentos, refletindo os efeitos da política monetária restritiva e dos estímulos fiscais implementados no início do ano”, afirma Couto.
Economia deve perder ritmo no segundo trimestre
Apesar dos resultados positivos em maio, economistas preveem uma desaceleração gradual da atividade econômica brasileira ao longo do segundo trimestre. A expectativa é que os juros elevados continuem limitando o consumo e os investimentos.
Os impactos dos estímulos fiscais também devem perder força nos próximos meses. Assim, os próximos indicadores econômicos serão monitorados de perto para avaliar a intensidade do crescimento da economia brasileira em 2026.











