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Área de algodão no Brasil cai 4,1% e colheita atrasada em Mato Grosso preocupa produtores

A safra de algodão 2025/26 no Brasil apresenta uma queda de 4,1% na área cultivada, com Mato Grosso enfrentando atrasos na colheita que podem impactar a qualidade da fibra.

Área de algodão no Brasil cai 4,1% e colheita atrasada em Mato Grosso preocupa produtores

Previa: A safra de algodão 2025/26 no Brasil apresenta uma queda de 4,1% na área cultivada, com Mato Grosso enfrentando atrasos na colheita que podem impactar a qualidade da fibra. O cenário exige atenção dos produtores e do mercado.

A cotonicultura brasileira inicia um novo ciclo marcado por desafios significativos. A área plantada de algodão recuou para 2,12 milhões de hectares, uma queda de 4,1% em relação ao ano anterior. Esse movimento é resultado de uma reavaliação das estratégias produtivas, especialmente em Mato Grosso, onde as chuvas de junho atrasaram a colheita.

Reestruturação na produção de algodão

O engenheiro agrônomo André Debastiani, da Agroconsult, destaca que essa redução encerra um período de crescimento contínuo da cultura. Nos últimos anos, a área cultivada havia aumentado de 1,69 milhão de hectares na safra 2022/23 para 2,21 milhões na safra 2024/25. A diminuição atual reflete uma adaptação às condições de mercado e à rentabilidade de outras culturas.

Mato Grosso, o maior produtor nacional, registrou a maior queda, passando de 1,57 milhão para 1,47 milhão de hectares, uma redução de 6,5%. A mudança se deve à preferência dos produtores por sistemas de produção que priorizam a soja e o milho, em detrimento do algodão, devido à competitividade econômica entre as culturas.

Por outro lado, a Bahia, segunda maior produtora, manteve sua área cultivada estável em 425 mil hectares, mas com um aumento significativo na produção irrigada, que agora representa quase metade da produção do estado. Essa mudança proporciona maior estabilidade e reduz a dependência das condições climáticas.

Atrasos na colheita e suas implicações

Outro desafio enfrentado pela safra é o atraso na colheita em Mato Grosso. Até 24 de julho, apenas 13,11% da área cultivada havia sido colhida, um número 7,86 pontos percentuais abaixo da média dos últimos cinco anos. O excesso de umidade causado pelas chuvas de junho dificultou o início dos trabalhos no campo.

As regiões Nordeste e Sudeste de Mato Grosso estão liderando o avanço da colheita, com 46,80% e 22,12% da área colhida, respectivamente. Essas áreas devem continuar a puxar o progresso nas próximas semanas, mas a qualidade da fibra se torna uma preocupação crescente.

Embora a produtividade não tenha sido significativamente afetada, o excesso de umidade pode comprometer a qualidade da pluma, um fator crucial que impacta a competitividade do algodão brasileiro no mercado. A qualidade da fibra é essencial para a classificação e os preços, influenciando diretamente as exportações.

Expectativas para o futuro

A expectativa é que a colheita ganhe velocidade nas próximas semanas, especialmente porque mais de 85% da área cultivada em Mato Grosso corresponde ao algodão de segunda safra. Com condições climáticas favoráveis, o ritmo das operações deve se intensificar.

O desempenho da safra 2025/26 será monitorado de perto por produtores, indústrias têxteis e exportadores. Apesar da redução na área cultivada, o Brasil continua a ser um dos principais produtores e exportadores de algodão do mundo, desempenhando um papel estratégico no abastecimento global da fibra.

Nos próximos meses, fatores como a velocidade da colheita, a qualidade da pluma e a demanda internacional serão determinantes para o comportamento do mercado e as perspectivas de comercialização da safra.

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