COLUNA DENILSON ANDRADE
Rio de Janeiro, 24 de Setembro de 2026
Por Denilson Andrade, Colunista de TV, Arte, Cultura e Celebridades
Por Denilson Andrade, Colunista de TV, Arte, Cultura e Celebridades
Arqueologia da Memória: Por Que Você Não Pode Perder o Encontro Histórico de Mauro Alencar no ‘Ser Artista Podcast’ Hoje
Em tempos em que a superficialidade dos reels e a pressa algorítmica parecem ditar o ritmo do consumo cultural, há um oásis de discernimento agendado para a noite de hoje, precisamente às 19h. Refiro-me ao centésimo primeiro episódio do Ser Artista Podcast. O veterano Marcus Montenegro, cujas jogadas estratégicas no mercado de agenciamento de talentos há muito conhecemos, abre as portas de seu confessionário audiovisual para o homem que transformou o folhetim eletrônico em tese acadêmica: o doutor e polímata da memória televisiva, Mauro Alencar.
Para quem, como eu, dedica a vida à pesquisa voraz da teledramaturgia e mergulha profundamente no universo televisivo, o consumo das entrevistas de Mauro Alencar não é mero passatempo, mas um rito obrigatório de sobrevivência intelectual. Para o público igualmente instruído que consome este espaço no Exposed Brasil, a presença de Alencar não é um simples evento de entretenimento; é um ajuste de contas com a nossa própria identidade nacional. Autor do seminal A Hollywood Brasileira – Panorama da Telenovela no Brasil, Mauro não saboreia a efemeridade das celebridades de temporada. Seu olhar, enciclopédico e despido de qualquer purismo tolo, disseca a novela como a legítima arquitetura dramática que moldou o imaginário social do continente.
Minha expectativa para o episódio de hoje transborda o profissionalismo e toca o entusiasmo absoluto de um espectador assíduo de seus ensinamentos. Há uma oportuna e provocativa ironia no ar. Enquanto a indústria atual se debate em fórmulas desgastadas e remakes milimetricamente calculados para agradar a comitês de foco, ouvir um mestre pela Universidade de São Paulo (USP) analisar o percurso dos nossos grandes autores é um exercício de pura vanguarda. Com sua habitual eloquência e aquela fidalguia cortês que só os espíritos verdadeiramente generosos e brilhantes conseguem modular, Alencar propõe uma radiografia intelectual e minuciosa nos bastidores do gênero.
O encontro promete ser um manifesto de incomparável nobreza intelectual contra o esquecimento crônico que assola o país. Diante de Montenegro, que recentemente celebrou o marco do centésimo episódio com Leona Cavalli, Mauro Alencar desenhará pontes estéticas entre o passado de ouro e o futuro incerto da nossa ficção seriada. Estarei na primeira fileira virtual, acompanhando cada reflexão dessa verdadeira lição magistral disfarçada de conversa informal. Fica o convite indispensável a todos: não deixem de assistir a este episódio e testemunhar o pensamento do maior arqueólogo da nossa memória televisiva.











