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Aliados de Lula defendem mobilização digital com regulamentação das redes sociais

Por Arthur Guimarães e Juliana Arreguy

Aliados de Lula defendem mobilização digital com regulamentação das redes sociais

Por Arthur Guimarães e Juliana Arreguy

(Folhapress) – A mobilização digital da esquerda, impulsionada pela recente campanha eleitoral, se consolidou como uma estratégia fundamental para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lideranças e influenciadores, incluindo o próprio presidente, destacam a importância das redes sociais na vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições, onde Lula obteve 51,8% dos votos, superando o adversário que teve 48,2%.

O deputado federal André Janones (Rede-MG) foi um dos principais responsáveis pela mobilização digital, reunindo mais de 10 milhões de pessoas no “Exército do Lula” no WhatsApp. Janones, que foi chamado por Lula de “general” em seu discurso de vitória, afirmou que essa estrutura digital permanecerá ativa como uma ferramenta de pressão popular durante o novo mandato do presidente. “O grande objetivo desse ‘Exército’, pós-eleição, é compensar a minoria que o presidente Lula vai ter na Câmara e no Senado”, disse o deputado.

A vitória de Lula, que se tornou o primeiro presidente a vencer uma eleição após terminar em segundo lugar no primeiro turno, também foi marcada pela resistência do petista ao uso de tecnologias digitais. No entanto, com a insistência de Janones e outros aliados, Lula começou a usar smartphones e prometeu estabelecer um canal direto de diálogo com a população, evitando a interpretação de suas palavras por jornalistas. “Vou conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia, diretamente”, afirmou.

Além de Janones, outros políticos com forte presença nas redes sociais, como Ana Elisa (PT-MG), Jones Manoel (PSOL-PE) e Guilherme Cortez (PSOL-SP), também se destacaram na campanha. Cortez, que possui mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, ressaltou que a esquerda finalmente compreendeu a importância das redes sociais para a disputa política, afirmando que a direita havia se beneficiado desse espaço antes.

A campanha eleitoral de 2022 foi marcada por acusações de interferência das plataformas digitais, com funcionários da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp) reconhecendo que contas de Lula sofreram prejuízos em comparação às de Flávio Bolsonaro. Apesar das negações da empresa sobre ingerência, a percepção de que as redes sociais influenciam o resultado eleitoral se consolidou.

Com a nova legislatura se aproximando, integrantes do governo e parlamentares pretendem votar até dezembro um projeto de lei que regulamenta a atuação das big techs. A expectativa é que essa seja uma janela favorável para a aprovação da regulamentação, que se tornará mais difícil no próximo ano. Cortez defende que a mobilização digital deve ser mantida, mas acompanhada de uma regulamentação das plataformas, que permita, por exemplo, a opção de feeds sem recomendações algorítmicas.

Lula também sinalizou em seu discurso de vitória que a regulação das redes sociais será uma de suas prioridades. Ele criticou a “intromissão vinda de fora” durante a campanha e destacou que crimes no mundo digital devem ser tratados com a mesma seriedade que os crimes na vida real. O presidente enfatizou que empresas bilionárias não podem escapar de impostos enquanto tentam influenciar resultados eleitorais no Brasil.

Embora Lula já tenha manifestado interesse em regulamentar as redes sociais durante a campanha de 2022, o governo anterior não conseguiu avançar nesse tema. A nova administração parece determinada a enfrentar os desafios impostos pelas plataformas digitais, buscando um equilíbrio entre a mobilização digital e a necessidade de regulamentação.

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