Previa: O mercado de algodão no Brasil enfrenta baixa liquidez, enquanto o USDA revisa para cima a produção global da fibra. A combinação de oferta restrita e cautela dos compradores impacta as negociações.
O cenário atual do mercado brasileiro de algodão é marcado por um volume reduzido de negócios nas principais regiões produtoras. A oferta mais restrita de pluma, aliada à postura cautelosa dos compradores, resultou em uma liquidez limitada no mercado físico.
Segundo a Safras Consultoria, houve alguma demanda por parte de exportadores, especialmente para embarques programados para aproximadamente 30 dias, vinculados ao contrato de dezembro de 2026. Contudo, a escassez de algodão brasileiro neste momento tem dificultado o ritmo das negociações.
Valorização dos preços em meio à baixa liquidez
Apesar da baixa liquidez, os preços do algodão apresentaram leve valorização na comparação semanal. Em Rondonópolis (MT), por exemplo, a pluma foi negociada a R$ 4,05 por libra-peso, um aumento em relação aos R$ 4,02 da semana anterior, o que representa uma valorização de 0,74%.
Esse movimento sugere uma sustentação dos preços, mesmo com o mercado enfrentando dificuldades em realizar negócios efetivos. A indústria, por sua vez, tem adotado uma abordagem cautelosa, realizando compras pontuais conforme suas necessidades.
No polo industrial de São Paulo, o preço do algodão colocado avançou 0,96% em uma semana, alcançando R$ 4,22 por libra-peso. Esse comportamento indica que, embora a demanda permaneça limitada, os preços estão sendo sustentados pela disponibilidade reduzida da matéria-prima.
Revisões do USDA impactam o mercado internacional
Em nível internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) atualizou suas projeções para a produção de algodão. Para a temporada 2026/27, a produção norte-americana foi estimada em 13,61 milhões de fardos, uma leve redução em relação à previsão anterior de 13,7 milhões de fardos.
Além disso, o USDA elevou a previsão para a produção global de algodão em 2026/27, passando de 117,26 milhões para 117,63 milhões de fardos. Apesar dessa revisão positiva, o volume ainda está abaixo dos 121,97 milhões de fardos estimados para a temporada anterior.
As exportações globais também foram revisadas para cima, aumentando de 43,34 milhões para 43,82 milhões de fardos, enquanto o consumo mundial foi projetado em 122,92 milhões de fardos, superando as previsões anteriores.
Brasil se destaca nas projeções de produção
O Brasil, entre os principais produtores, apresenta uma perspectiva de crescimento na produção de algodão, com a estimativa do USDA sendo elevada de 18 milhões para 18,25 milhões de fardos. Isso solidifica a posição do país como um dos principais fornecedores globais da fibra.
Enquanto isso, a produção da China permanece em 33,5 milhões de fardos, o Paquistão em 5,1 milhões e a Índia, maior produtor, continua com a estimativa de 24 milhões de fardos.
O equilíbrio entre oferta e demanda será crucial para o futuro do mercado de algodão. A disponibilidade reduzida de pluma no Brasil pode limitar a liquidez, mas também oferece suporte aos preços. A indústria segue cautelosa, realizando compras conforme suas necessidades imediatas.
Nos próximos meses, a evolução da demanda internacional, o ritmo das exportações brasileiras e as condições das safras dos principais produtores estarão no foco dos agentes do mercado, influenciando diretamente o comportamento dos preços e a dinâmica do setor.











