Previa: O preço do açúcar nas bolsas internacionais está em alta, impulsionado por preocupações com a oferta global e a valorização do real. No Brasil, o açúcar cristal apresenta recuperação, enquanto o etanol registra queda.
O mercado internacional do açúcar encerrou a quarta-feira (5) com valorização nas principais bolsas, refletindo um cenário de incertezas sobre a oferta global da commodity. As condições climáticas nos países produtores, a valorização do real em relação ao dólar e o aumento dos preços na Índia são fatores que alimentam as expectativas de um possível déficit mundial nos próximos meses.
Alta nas bolsas internacionais
Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos do açúcar bruto fecharam em alta. O contrato com vencimento em outubro de 2026 subiu 0,11 centavo de dólar, alcançando 15,15 cents por libra-peso, um avanço de 0,73% em relação à sessão anterior. Outros contratos também seguiram a tendência de valorização, impulsionados pela redução da competitividade das exportações brasileiras devido à valorização do real.
Em Londres, o açúcar branco também registrou ganhos. O contrato para outubro de 2026 avançou US$ 4,20, encerrando o dia a US$ 476,90 por tonelada. Esse movimento positivo reforça a recuperação observada desde o início da semana, indicando um cenário otimista para os investidores.
Os preços internos do açúcar na Índia, que acumulam alta de aproximadamente 10% no último mês, também influenciam o mercado. A expectativa é que os preços permaneçam elevados devido à oferta restrita e ao aumento sazonal da demanda durante festividades, o que pressiona ainda mais as cotações globais.
Impactos climáticos e perspectivas futuras
O fenômeno El Niño é outro fator que preocupa os investidores, pois pode afetar a produtividade nas principais regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia. As previsões climáticas para os próximos meses indicam a possibilidade de chuvas abaixo da média, o que pode impactar a produção de açúcar e etanol.
No mercado físico brasileiro, o açúcar cristal branco apresentou recuperação, com a saca de 50 quilos sendo negociada a R$ 92,47, alta de 0,63%. Apesar disso, o ritmo das negociações permanece moderado, com compradores adotando uma postura cautelosa.
Por outro lado, o etanol hidratado em Paulínia (SP) registrou nova queda, com o preço de R$ 2.133,50 por metro cúbico, um recuo de 0,37%. Apesar da baixa, o biocombustível ainda acumula uma leve alta de 0,16% em agosto, refletindo um mercado em ajuste.
As perspectivas para o mercado do açúcar continuam incertas, com a expectativa de déficit na oferta mundial, condições climáticas adversas e a valorização do real como fatores que podem influenciar a volatilidade nos preços nas próximas semanas. O cenário exige atenção redobrada dos produtores e investidores do setor.











