Previa: As cotações do açúcar nas bolsas internacionais estão em alta, impulsionadas por preocupações climáticas na Índia e previsões de déficit global na safra 2026/27. Enquanto isso, o mercado brasileiro permanece cauteloso, refletindo a dinâmica interna de oferta e demanda.
O início de agosto trouxe uma recuperação nas cotações internacionais do açúcar, com o mercado reagindo a novas preocupações climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial da commodity. As projeções de um déficit global para a safra 2026/27 também contribuem para a valorização, enquanto o fenômeno El Niño gera incertezas adicionais.
Valorização nas bolsas internacionais
No mercado de futuros, os contratos de açúcar bruto na ICE Futures US, em Nova York, mostraram um movimento positivo. Após uma semana de perdas, o contrato com vencimento em outubro de 2026 fechou a 14,66 cents de dólar por libra-peso, com uma leve alta. Na abertura desta segunda-feira (3), o mesmo contrato já era negociado a 14,89 cents/lbp, indicando um aumento de 23 pontos.
Em Londres, o açúcar branco também apresentou recuperação. O contrato de outubro, que encerrou a última semana a US$ 461,60 por tonelada, subiu para US$ 471,90 nesta segunda-feira, refletindo uma expectativa de um mercado global mais apertado.
Preocupações climáticas na Índia
As condições climáticas na Índia são um fator crucial para a sustentação dos preços do açúcar. O Departamento Meteorológico indiano alertou que as chuvas durante a temporada de monções devem ficar abaixo da média histórica, o que pode impactar negativamente a produção. Embora tenha havido uma melhora temporária nas chuvas, o déficit hídrico ainda preocupa os investidores.
Qualquer redução na disponibilidade de água pode comprometer o desenvolvimento dos canaviais, o que, por sua vez, afetaria a oferta global de açúcar. As previsões climáticas recentes reascenderam as preocupações sobre a produção mundial, que já enfrenta desafios.
Impactos do fenômeno El Niño
Outro elemento que mantém os investidores em alerta é o fenômeno El Niño. Modelos climáticos indicam que ele pode se intensificar, aumentando o risco de secas em regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia. Essa situação pode reduzir a produtividade dos canaviais e limitar a oferta global da commodity.
As expectativas de um déficit no mercado global, que pode passar de um superávit de 4,78 milhões de toneladas na safra 2025/26 para um déficit de 800 mil toneladas em 2026/27, também contribuem para a pressão sobre os preços.
Mercado físico brasileiro e perspectivas futuras
Enquanto o mercado internacional demonstra reações às incertezas climáticas, o mercado físico brasileiro apresenta um comportamento mais conservador. O indicador do açúcar cristal branco CEPEA/ESALQ registrou uma queda de 0,97% na última semana, com a saca de 50 quilos sendo negociada a R$ 91,50.
Apesar do recuo, o indicador acumulou uma leve alta de 0,25% no mês. O ritmo moderado das negociações no mercado interno limita movimentos mais expressivos de valorização, mesmo em um cenário internacional mais otimista.
As perspectivas para o mercado do açúcar indicam que, se as preocupações climáticas se intensificarem e as estimativas de menor oferta mundial se confirmarem, os preços internacionais podem continuar em alta. No entanto, o mercado físico brasileiro dependerá da dinâmica da demanda interna e da estratégia das usinas na produção de açúcar e etanol.











