Prévia: O mercado de açúcar em São Paulo enfrenta um cenário de queda nos preços, impulsionado pela oferta elevada e pela cautela dos compradores. Fatores climáticos, como o fenômeno El Niño, podem impactar a produção nos próximos meses.
Atualmente, o setor sucroalcooleiro está sob pressão, com os preços do açúcar cristal branco em declínio tanto no Brasil quanto no mercado internacional. Em São Paulo, a safra 2026/27 trouxe uma oferta abundante, o que tem contribuído para a retração nas cotações. Os compradores, por sua vez, adotam uma postura cautelosa, aguardando novas reduções nos preços antes de intensificarem suas compras.
Oferta elevada mantém pressão sobre o açúcar cristal
Pesquisadores do Cepea apontam que a comercialização do açúcar cristal branco está lenta no mercado paulista. A alta disponibilidade do produto, resultante do avanço da moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul, tem sustentado a queda dos preços nas últimas semanas. Essa situação reduz o interesse por negociações de maior volume.
Bolsas internacionais registram novas baixas
No mercado externo, os contratos futuros de açúcar também apresentaram queda. Na ICE Futures US, o contrato com vencimento em julho de 2026 fechou a 13,68 centavos de dólar por libra-peso, refletindo um sentimento negativo entre os investidores. Em Londres, o açúcar branco seguiu a mesma tendência, com o contrato para agosto de 2026 a US$ 442,40 por tonelada.
A pressão sobre os preços internacionais está ligada à expectativa de maior oferta global no curto prazo, especialmente em regiões produtoras que apresentam projeções favoráveis.
El Niño aumenta preocupação com a próxima safra
Embora a oferta atual seja confortável, o mercado está atento aos desdobramentos climáticos, especialmente após a confirmação do fenômeno El Niño. Esse fenômeno pode alterar os padrões de chuva em regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia.
No Brasil, espera-se um aumento nas precipitações, o que pode impactar a colheita e o processamento da cana-de-açúcar. Na Índia, a falta de chuvas gera incertezas sobre a produção, afetando um dos maiores exportadores mundiais de açúcar.
Petróleo e mix de produção influenciam mercado
Outro fator que influencia os preços é o comportamento do mercado de energia. A recente queda nos preços do petróleo torna o etanol menos competitivo, incentivando a destinação da cana para a produção de açúcar. Isso pode aumentar a oferta global da commodity e reforçar a tendência de baixa observada nas bolsas internacionais.
Entretanto, problemas climáticos em grandes produtores podem limitar quedas mais acentuadas e trazer volatilidade ao mercado no segundo semestre.
Etanol apresenta estabilidade em São Paulo
Enquanto o açúcar busca um novo equilíbrio, o mercado de etanol hidratado em São Paulo mostrou estabilidade. O Indicador Diário Paulínia registrou o biocombustível a R$ 2.345,50 por metro cúbico, com leve alta de 0,04% em relação ao dia anterior. Apesar da estabilidade, o etanol acumula uma retração de 0,26% no mês, refletindo o aumento da disponibilidade do produto.
O mercado de açúcar, portanto, permanece em um cenário de incertezas, dividido entre a pressão da oferta atual e as possíveis mudanças climáticas que podem afetar a produção global. Fatores como o El Niño e as condições climáticas na Índia continuarão a influenciar as cotações ao longo da safra 2026/27.











