Prévia: O mercado global de açúcar enfrenta uma nova onda de quedas, impulsionada por um aumento na oferta e por liquidações de posições por investidores. No Brasil, os preços do açúcar cristal e do etanol hidratado também refletem essa tendência de baixa.
Na quarta-feira (16), as bolsas internacionais de açúcar registraram perdas significativas, com o mercado global operando em baixa. O aumento das expectativas de oferta nos principais países produtores, aliado ao movimento de liquidação de posições por fundos de investimento, tem pressionado os preços da commodity.
Queda nos contratos futuros do açúcar bruto
Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto encerraram o pregão em queda. O contrato com vencimento em outubro de 2026 caiu para 14,85 cents de dólar por libra-peso, enquanto as posições para março e maio de 2027 também apresentaram desvalorizações, fechando a 15,77 e 15,59 cents/lbp, respectivamente. Essa tendência de correção reflete as perspectivas de maior disponibilidade da commodity no mercado internacional.
Açúcar branco também sofre desvalorização
Em Londres, na ICE Europe, o açúcar branco seguiu o mesmo caminho, com o contrato de agosto de 2026 fechando a US$ 449,20 por tonelada, uma queda de US$ 14,20 em relação ao dia anterior. Os contratos para outubro e dezembro de 2026 também encerraram em baixa, cotados a US$ 460,80 e US$ 460,40 por tonelada, respectivamente.
Impacto no mercado interno brasileiro
No Brasil, o cenário não é diferente. O Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo registrou uma queda de 0,58%, fechando a R$ 91,58 por saca de 50 quilos. Apesar da retração diária, o indicador ainda acumula uma alta de 0,34% no mês de julho, indicando uma certa sustentação do mercado doméstico em relação ao desempenho internacional.
Etanol hidratado também apresenta perdas
O mercado de etanol hidratado também não escapou da tendência de queda. Segundo o Indicador Diário Paulínia, o biocombustível foi negociado a R$ 2.233,50 por metro cúbico, um recuo de 0,20% em relação ao dia anterior. No acumulado de julho, a desvalorização chega a 5,58%, refletindo o aumento da oferta e a pressão do mercado de combustíveis.
Expectativas para a oferta global
Os investidores continuam atentos às condições que podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda ao longo da safra. A melhora das chuvas na Índia, um dos maiores produtores de açúcar, alivia as preocupações com a produção e favorece um cenário de maior disponibilidade global. Contudo, a possibilidade de mudanças climáticas, como o fenômeno El Niño, ainda pode impactar a produtividade em países como Brasil e Tailândia.
Em um mercado que permanece sensível ao clima e à oferta, a evolução da produção nos principais polos exportadores será crucial. Investidores, usinas e tradings devem continuar monitorando de perto os indicadores climáticos e os dados de safra, que influenciarão as cotações internacionais nas próximas semanas.











