Previa: O mercado internacional de açúcar enfrenta uma queda nas cotações, influenciado por uma oferta crescente e a colheita avançada no Brasil. No cenário interno, o etanol também apresenta desvalorização, refletindo a abundância do biocombustível.
Na última quinta-feira, 30 de julho, as bolsas internacionais de açúcar fecharam em baixa, resultado da expectativa de aumento na oferta global e do avanço da colheita no Brasil. A cautela dos investidores, diante das condições climáticas nos principais países produtores, também contribuiu para essa tendência negativa. No mercado brasileiro, o açúcar cristal e o etanol hidratado apresentaram quedas, evidenciando um cenário de pressão sobre os preços.
Açúcar fecha em baixa em Nova York e Londres
Na ICE Futures US, os contratos futuros do açúcar bruto encerraram o pregão em queda. O contrato com vencimento em outubro de 2026 recuou para 14,43 cents de dólar por libra-peso, enquanto os contratos de março e maio de 2027 também apresentaram desvalorização. Em Londres, o açúcar branco seguiu a mesma tendência, com o contrato de outubro de 2026 fechando a US$ 456,70 por tonelada.
De acordo com a análise da StoneX, o mercado permanece em uma faixa de negociação estreita, sem força para estabelecer uma tendência consistente. A pressão vendedora foi intensa, mas não conseguiu romper a faixa entre 14,50 e 15,00 cents/lbp, considerada uma zona técnica importante.
Oferta confortável impede recuperação consistente
A elevada disponibilidade de açúcar no curto prazo, impulsionada pela moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, é o principal fator de pressão sobre os preços. Além disso, os prêmios de exportação do açúcar VHP no porto de Santos estão próximos dos menores níveis históricos, indicando dificuldades do mercado internacional em absorver a oferta brasileira.
Embora a oferta atual seja considerada confortável, o cenário de médio prazo é cercado de incertezas. A melhora das condições climáticas na Índia e as projeções de déficit global de açúcar para a safra 2026/27, estimado em cerca de 1,7 milhão de toneladas, mantêm os investidores cautelosos.
Açúcar cristal recua no mercado brasileiro
No mercado físico nacional, o Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo registrou uma nova queda, com a saca de 50 quilos sendo negociada a R$ 92,40, um recuo de 0,57%. Apesar da baixa, o indicador ainda acumula uma valorização de 1,24% em julho, refletindo uma recuperação parcial nas últimas semanas.
O ritmo das negociações permanece moderado, com compradores adotando uma postura cautelosa, dada a expectativa de maior disponibilidade de produto no mercado físico.
Etanol segue pressionado pelo avanço da safra
O mercado de etanol apresenta um desempenho mais fraco em comparação ao açúcar. O etanol hidratado foi negociado a R$ 2.134,50 por metro cúbico, uma queda de 0,37% em relação ao pregão anterior. No acumulado de julho, o biocombustível registra uma desvalorização de 9,77%, reflexo do aumento da moagem de cana e da maior oferta nas usinas paulistas.
A fraqueza do etanol reduz os incentivos econômicos para mudanças no mix de produção das usinas, contribuindo para a manutenção da elevada fabricação de açúcar e reforçando a pressão sobre os preços internacionais.
Perspectivas para o mercado
O mercado global de açúcar enfrenta um momento de equilíbrio delicado. A oferta elevada no curto prazo limita movimentos de alta, enquanto as projeções de déficit mundial e as incertezas climáticas oferecem suporte às cotações. Nos próximos meses, a evolução da safra brasileira, as condições climáticas na Índia e na União Europeia, além do comportamento da demanda internacional, serão fatores cruciais para definir a direção dos preços do açúcar.











