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Açúcar tem alta nas bolsas internacionais, mas preços no Brasil continuam em queda

O mercado internacional do açúcar apresenta recuperação, mas o cenário no Brasil é de pressão sobre os preços, com aumento da oferta e queda na demanda.

Açúcar tem alta nas bolsas internacionais, mas preços no Brasil continuam em queda

Prévia: O mercado internacional do açúcar apresenta recuperação, mas o cenário no Brasil é de pressão sobre os preços, com aumento da oferta e queda na demanda. A diferença entre os mercados externo e interno reflete desafios distintos para os produtores brasileiros.

Na terça-feira (21), o mercado internacional do açúcar registrou uma leve recuperação nas principais bolsas globais. Essa alta foi impulsionada pelo fortalecimento das cotações do petróleo e pela cautela dos investidores em relação às condições climáticas nos grandes países produtores. No entanto, no Brasil, a situação é diferente, com novas quedas nos preços do açúcar cristal e do etanol hidratado, resultado do aumento da oferta e da fraqueza na demanda interna.

Mercado Internacional em Alta

Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos do açúcar bruto fecharam em valorização. O contrato com vencimento em outubro de 2026 subiu 0,06 ponto, cotado a 14,88 cents de dólar por libra-peso. Os contratos com vencimento em março e maio de 2027 também apresentaram altas, refletindo um movimento positivo no mercado internacional.

Esse desempenho é sustentado pela valorização do petróleo, que torna a produção de etanol mais atrativa para as usinas, reduzindo a oferta de açúcar destinada ao mercado externo. Na ICE Futures Europe, o açúcar branco também acompanhou essa tendência, com leves altas nos contratos negociados.

Pressão no Mercado Físico Brasileiro

Enquanto as bolsas internacionais se recuperam, o mercado físico brasileiro enfrenta um cenário de enfraquecimento. O indicador do açúcar cristal branco, calculado pelo Cepea/Esalq, registrou uma queda de 1,19%, com a saca de 50 quilos sendo negociada a R$ 91,13. No acumulado de julho, a retração é de 0,15%, evidenciando a elevada oferta e o ritmo lento das negociações.

O mercado de etanol também está sob pressão, com o preço do etanol hidratado em R$ 2.192,50 por metro cúbico, uma queda de 0,93% em relação ao fechamento anterior. A desvalorização acumulada em julho já chega a 7,31%, reflexo do aumento da moagem da cana-de-açúcar e da maior disponibilidade do produto.

Fatores que Influenciam o Mercado

A valorização do petróleo continua a ser um fator crucial para os preços internacionais do açúcar. Com a energia mais cara, a competitividade do etanol aumenta, reduzindo a quantidade de cana destinada à produção de açúcar. Contudo, a recuperação das chuvas na Índia alivia parte das preocupações sobre a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar, limitando as altas nas bolsas internacionais.

Além disso, a volatilidade do mercado é acentuada pelo elevado volume de posições compradas mantidas por fundos de investimento, o que pode provocar oscilações significativas nas próximas sessões.

Expectativas Futuras

Os próximos dias devem ser moldados pela interação entre o mercado de energia, as condições climáticas nos principais produtores e o avanço da safra brasileira. No mercado interno, a expectativa é de preços pressionados enquanto a moagem se mantiver elevada e a oferta continuar a crescer.

No cenário externo, fatores como o preço do petróleo, o clima na Índia e a movimentação dos fundos de investimento serão determinantes para as cotações internacionais do açúcar. A atenção dos produtores e investidores deve permanecer voltada para esses elementos, que influenciam diretamente a dinâmica do setor.

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