Previa: O mercado de açúcar apresenta um cenário misto, com recuperação em Nova York e pressão no Brasil, influenciado por fatores climáticos e a queda do petróleo.
O mercado do açúcar encerrou a quarta-feira (24) com ajustes que refletem a divergência entre o cenário internacional e o doméstico. Enquanto os contratos em Nova York mostraram leve recuperação, o açúcar cristal no Brasil registrou queda, e o etanol hidratado continuou sua trajetória de valorização.
Os preços globais da commodity são impactados por uma combinação de fatores climáticos, especialmente na Índia e na Europa, além da fraqueza do petróleo. Essa dinâmica continua a moldar as expectativas do mercado, que se mostra volátil.
Mercado internacional: leve recuperação em Nova York
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), os contratos futuros do açúcar bruto/demerara apresentaram variações limitadas, mas com um viés positivo nos vencimentos mais longos. O contrato para julho de 2026 fechou estável em 13,42 cents de dólar por libra-peso, enquanto o de outubro avançou para 14,02 cents/lbp e o de março de 2027 subiu para 14,95 cents/lbp.
Apesar dessa leve recuperação, o mercado ainda opera próximo das mínimas de dois meses, refletindo a pressão da queda do petróleo, que diminui a competitividade do etanol e pode direcionar a cana para a produção de açúcar.
Clima segue como principal fator de sustentação
O clima continua a ser um elemento central na formação dos preços globais do açúcar. Na Índia, as chuvas de monções estão abaixo da média histórica, levantando preocupações sobre a produtividade da próxima safra, dado que o país é o segundo maior produtor mundial.
Na Europa, o clima quente e seco também gera alertas sobre possíveis perdas na produção de beterraba sacarina. Além disso, o fenômeno climático El Niño é monitorado como um risco adicional que pode restringir a oferta em 2026.
Esses fatores climáticos ajudam a limitar quedas mais acentuadas nas cotações internacionais, mesmo com fundamentos relativamente confortáveis no curto prazo.
Mercado interno: açúcar recua em São Paulo
No Brasil, o indicador do açúcar cristal branco CEPEA/ESALQ apresentou queda no estado de São Paulo, com o preço fechando em R$ 92,44 por saca de 50 kg. Isso representa um recuo diário de 1,73% e uma variação mensal de -0,60%.
Esse movimento é reflexo de um mercado físico que se mostra sensível ao avanço da safra no Centro-Sul, onde a maior oferta pressiona as negociações e limita novas altas no curto prazo.
Etanol mantém alta e amplia ganhos no mês
Em contraste com o açúcar, o mercado de etanol hidratado manteve uma trajetória positiva. O indicador Diário Paulínia registrou R$ 2.371,50 por m³, com uma alta de 0,49% no dia e um ganho acumulado de 0,85% em junho.
A recuperação do biocombustível ocorre em meio a ajustes de demanda e à recomposição gradual dos preços, embora o setor permaneça atento à competitividade em relação aos combustíveis fósseis.
Perspectivas: mercado dividido entre clima e fundamentos
O mercado internacional do açúcar se divide entre dois vetores principais: os riscos climáticos na Índia, Europa e outras regiões produtoras que sustentam expectativas de aperto na oferta futura, e a queda do petróleo que limita movimentos de alta.
No Brasil, a safra do Centro-Sul continua a pressionar o açúcar cristal, enquanto o etanol busca recuperar competitividade em um ambiente de volatilidade nos preços dos energéticos. O resultado é um mercado lateralizado, com reações pontuais, mas sem uma direção clara no curto prazo.











