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Açúcar inicia semana com queda nas bolsas internacionais, mas mercado brasileiro resiste

O mercado de açúcar enfrenta uma semana desafiadora, com quedas nas cotações internacionais, enquanto o Brasil mostra resiliência no mercado físico.

Açúcar inicia semana com queda nas bolsas internacionais, mas mercado brasileiro resiste

Previa: O mercado de açúcar enfrenta uma semana desafiadora, com quedas nas cotações internacionais, enquanto o Brasil mostra resiliência no mercado físico. Fatores climáticos e a transição da safra no Centro-Sul são cruciais para a formação dos preços.

O cenário atual do mercado de açúcar reflete uma combinação de fatores que impactam tanto a oferta quanto a demanda. As bolsas internacionais, como a ICE Futures em Nova York e Londres, registraram perdas significativas, enquanto o mercado físico brasileiro se mantém relativamente estável, especialmente em São Paulo.

A transição da safra no Centro-Sul do Brasil é um ponto central nesse contexto. O ritmo da moagem, as condições climáticas e as flutuações cambiais estão diretamente ligados à formação dos preços do açúcar e do etanol. A colheita avança, mas as chuvas recentes limitaram temporariamente as operações no campo.

Mercado paulista mantém estabilidade com negócios pontuais

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o mercado físico paulista apresenta um equilíbrio, mesmo diante da pressão externa. Compradores estão atentos ao avanço da colheita, enquanto vendedores mantêm firmeza nas negociações, evitando concessões nos preços.

As chuvas que ocorreram entre maio e junho, apesar de atrasarem a moagem, beneficiaram o desenvolvimento dos canaviais, o que pode trazer boas perspectivas para a produtividade na segunda metade da safra. Esse equilíbrio entre a menor atividade no campo e as expectativas positivas ajuda a explicar a estabilidade nos preços domésticos.

Bolsas internacionais ampliam perdas

No mercado internacional, os contratos futuros de açúcar fecharam em baixa. O contrato com vencimento em outubro de 2026 foi cotado a 14,75 cents de dólar por libra-peso, uma queda de 0,87%. Em Londres, o açúcar branco também registrou desvalorizações expressivas, com contratos de agosto e outubro fechando a US$ 463,10 e US$ 457,80 por tonelada, respectivamente.

A principal pressão sobre o mercado internacional é a melhora nas perspectivas de produção global, especialmente na Índia, onde chuvas favoráveis reduziram as preocupações com a safra. Isso resultou na retirada de parte do prêmio de risco que havia sido incorporado às cotações nas semanas anteriores.

Petróleo limita movimento de baixa

Apesar do cenário negativo, especialistas apontam que fatores de sustentação ainda estão presentes. A recuperação dos preços do petróleo torna o etanol mais competitivo em relação aos combustíveis fósseis, o que pode levar as usinas a direcionarem mais cana para a produção de biocombustíveis, limitando a oferta de açúcar para exportação.

Além disso, o mercado continua a monitorar os possíveis impactos climáticos do fenômeno El Niño, que podem afetar a produção em regiões chave nos próximos meses.

Mercado interno registra pequenas quedas

Embora o mercado físico mantenha algumas negociações, os indicadores mostram uma leve retração. O Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo encerrou a semana a R$ 90,72 por saca de 50 quilos, uma queda de 0,54% em relação ao dia anterior.

No acumulado de julho, o indicador apresenta um recuo de 0,60%, refletindo o aumento da oferta no mercado físico com o avanço da safra. O mercado de etanol também segue a tendência de baixa, com o preço do biocombustível em Paulínia a R$ 2.262,00 por metro cúbico, uma retração de 0,13%.

Perspectivas para o mercado de açúcar

As próximas semanas serão cruciais para o mercado, que será influenciado por uma série de fatores, incluindo o avanço da colheita no Centro-Sul, as condições climáticas em grandes produtores, o comportamento do dólar e a evolução dos preços do petróleo.

Embora a maior oferta global tenha aliviado a pressão sobre os preços, o mercado permanece sensível a condições climáticas e oscilações no setor energético, que podem trazer volatilidade às cotações durante a safra 2026/27.

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