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Açúcar tem alta nas bolsas internacionais com queda na produção brasileira

O mercado internacional de açúcar enfrenta uma forte alta devido à queda na produção brasileira e a fatores climáticos que afetam a oferta global.

Açúcar tem alta nas bolsas internacionais com queda na produção brasileira

Previa: O mercado internacional de açúcar enfrenta uma forte alta devido à queda na produção brasileira e a fatores climáticos que afetam a oferta global. O cenário também beneficia o mercado interno, que registra valorização dos preços.

Na última quinta-feira (6), o mercado global de açúcar fechou em alta, impulsionado por uma série de fatores que levantam preocupações sobre a oferta da commodity. A significativa redução na produção brasileira, o aumento dos preços do petróleo e a valorização do real em relação ao dólar são alguns dos elementos que sustentam essa valorização nos contratos futuros nas bolsas internacionais.

No Brasil, o mercado físico também acompanha essa tendência. O açúcar cristal teve nova alta no Estado de São Paulo, enquanto o etanol hidratado continua sua trajetória positiva em Paulínia, indicando um ambiente favorável para o setor sucroenergético.

Açúcar sobe em Nova York com menor oferta brasileira

Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto encerraram o pregão em alta. O contrato com vencimento em outubro de 2026 fechou a 15,57 centavos de dólar por libra-peso, um avanço de 2,8% em relação à sessão anterior. O contrato de março de 2027 também registrou valorização, fechando a 16,49 centavos por libra-peso.

Esses números refletem a redução significativa da produção de açúcar na principal região produtora do Brasil, conforme divulgado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA).

Produção de açúcar no Centro-Sul recua mais de 26%

De acordo com a UNICA, a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil caiu para 3,90 milhões de toneladas em junho, uma diminuição de 26,33% em relação ao mesmo período da safra anterior. A moagem de cana também apresentou uma queda de 14,5%, totalizando 69,79 milhões de toneladas, o que reforça a percepção de menor disponibilidade da matéria-prima.

No acumulado da safra 2026/27, a fabricação de açúcar soma 10,75 milhões de toneladas, uma queda de 12,38% em comparação ao ciclo anterior. Esses dados aumentam a preocupação dos investidores sobre a oferta global da commodity.

Petróleo, câmbio e clima fortalecem mercado

Além da produção brasileira, outros fatores contribuíram para a valorização dos contratos futuros. O aumento dos preços internacionais do petróleo torna o etanol mais competitivo em relação aos combustíveis fósseis, levando as usinas a direcionarem mais cana para a produção de biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar.

A valorização do real frente ao dólar também impacta as exportações, tornando-as menos atrativas. No cenário internacional, as preocupações com o clima quente e seco em regiões produtoras de beterraba na União Europeia podem comprometer a produtividade e a oferta global de açúcar.

Mercado interno registra recuperação dos preços

No mercado físico brasileiro, o açúcar cristal branco apresentou valorização, com o Indicador CEPEA/ESALQ apontando a saca de 50 quilos a R$ 93,88, uma alta de 1,52% no dia. Em agosto, o indicador acumula uma valorização de 2,60%, refletindo a recuperação dos preços domésticos em sintonia com o cenário internacional.

Enquanto a produção de açúcar diminui, as usinas estão ampliando a fabricação de etanol. Em junho, a produção do biocombustível alcançou 3,80 bilhões de litros, um crescimento de 2,47% na comparação anual.

Perspectivas para o mercado do açúcar

O mercado permanece atento aos próximos relatórios sobre a safra brasileira e às condições climáticas nos principais produtores mundiais. A continuidade dos sinais de menor oferta no Centro-Sul, juntamente com o fortalecimento do mercado de energia e incertezas sobre a produção na Europa, sugere que a volatilidade e o suporte para os preços internacionais do açúcar devem persistir.

Para os produtores brasileiros, o cenário é favorável, com a valorização tanto do açúcar quanto do etanol, ampliando as oportunidades de rentabilidade no setor sucroenergético.

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