Nas primeiras reportagens da cobertura, a reportagem já havia sinalizado a existência dessa ação judicial. Contudo, a análise minuciosa de cada página do acervo documental revelou elementos até então inéditos: registros de áudio trocados diretamente entre a vítima da fraude, identificada como Morgana, e a ré, Isabelle Caracristi.
A TEIA DE MENTIRA E OS JOGOS ONLINE
Nas gravações anexadas aos autos, Isabelle aparece articulando de forma insistente para obter transferências financeiras de Morgana. Sob o pretexto de aplicar os valores em plataformas de jogos online, a estudante cita nomes de bancas virtuais, detalha estratégias de apostas e tenta convencer a jovem a repassar quantias para que ela operasse os palpites em seu nome.
Para induzir a vítima ao erro e garantir os depósitos, Isabelle utilizou uma teia de justificativas falsas e promessas de retorno. A apuração ainda busca determinar se a conduta era movida por quadro severo de ludopatia (vício compulsivo em jogos) ou pelo engajamento deliberado em práticas ilícitas.
O padrão de aproximação se repetia até a consolidação dos repasses. No entanto, quando Morgana passou a exigir a devolução do dinheiro aplicado, a postura da universitária mudou drasticamente: Isabelle esquivou-se das cobranças e cortou o contato, bloqueando a vítima em todas as redes e aplicativos de mensagem.
A FUGA DA JUSTIÇA E O REFUGO NO LA PIAZZA
O ponto de intersecção mais revelador entre a ação judicial e o inquérito que apura sua morte reside na localização de Isabelle nas semanas que antecederam o dia 13 de setembro.
Documentos do processo mostram que o Poder Judiciário tentava citar e intimar Isabelle formalmente por meio de cartas precatórias durante o mês de setembro. As tentativas, contudo, restaram frustradas, pois a estudante constava oficialmente em “endereço incerto e não sabido”.
A devassa nos autos revela onde Isabelle se escondia das citações judiciais: no apartamento de João Munhoz Neto, no Condomínio La Piazza.
O dado documental conecta-se diretamente às declarações prestadas por João à Polícia Civil em seus primeiros depoimentos. Na ocasião, o investigado afirmou que Isabelle havia pedido insistentemente para mudar-se para a sua residência de forma repentina. A fuga do cerco judicial e o receio de ser localizada pelas autoridades explicam a urgência da jovem em fixar teto na casa do namorado.
A COMPROMISSO COM OS FATOS
A revelação dos áudios e da condição de ré não altera a gravidade das apurações que pesam contra João Munhoz Neto referente aos crimes de violência psicológica (Art. 147-B) e induzimento ao suicídio (Art. 122), mas reconstrói com precisão o cenário de pressão, dívidas e instabilidade que cercava a universitária.
O The Exposed Brasil reitera seu compromisso com a imparcialidade investigativa. Em apurações jornalísticas de alta complexidade, não cabem paixões ou escolhas de lados: cabe a busca pela verdade factual.
A íntegra dos áudios e a análise detalhada das peças processuais foram transmitidas na edição de hoje do canal The Exposed Brasil e no canal do jornalista Marcondes Marques no YouTube.










