A Marcha Trans & Travesti tomou as ruas do centro do Rio de Janeiro na tarde deste sábado (19), reunindo ativistas e apoiadores na quinta edição do evento, que este ano teve como tema central a defesa da democracia. O ato, que busca garantir os direitos da população trans, foi organizado por Gab Van, que enfatizou a importância de discutir a democracia sob diferentes perspectivas, incluindo corpo, território, classe, raça e gênero.
“Quando a gente fala de democracia, ela tem corpo, território, classe, raça, gênero. A democracia também se mede pela possibilidade concreta de a pessoa existir, de ela ter o direito de circular pela cidade, trabalhar, estudar, cuidar da sua saúde, cuidar do seu corpo, construir os seus afetos”, afirmou Van, destacando que a luta por direitos deve incluir todos os aspectos da vida das pessoas trans.
“Não vamos aceitar uma democracia que nos exclua”, acrescentou.
A Marcha Trans & Travesti foi inspirada por uma caminhada histórica realizada em 1993, quando travestis saíram da Candelária em direção à Cinelândia para reivindicar direitos. Desde sua primeira edição em 2022, o evento se tornou um espaço importante para a visibilidade e a luta da população trans, especialmente em tempos de polarização política.
Gab Van ressaltou a relevância de realizar a manifestação durante o período eleitoral, apontando que a população trans frequentemente se torna alvo de discursos de “pânico moral” por parte de alguns candidatos. Essa estratégia retórica, segundo ele, busca deslegitimar as reivindicações e direitos da comunidade trans, tornando a mobilização ainda mais necessária.
Além das atividades de mobilização política, a marcha também contou com apresentações artísticas e a oferta de serviços sociais. O Núcleo de Diversidade Sexual da Defensoria Pública do Rio de Janeiro (Nudiversis) esteve presente, promovendo a retificação do nome civil, um passo fundamental para muitas pessoas trans. A Secretaria Municipal de Saúde também participou, oferecendo vacinação contra a gripe e testagem para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.
Edna Oliveira, uma das participantes do evento, trouxe sua filha Helena, uma mulher trans de 22 anos, para aproveitar os serviços de retificação de documentos. “A Helena começou sua transição há cerca de dois anos, mas nunca tinha manifestado o desejo de fazer a retificação do nome. Essa decisão foi construída ao longo de um tempo. E eu, como mãe, estou aqui para apoiá-la. A Helena já faz faculdade, ela precisa dessa identificação nova para quando pegar o diploma já seguir a vida dela com esse nome”, explicou Edna, destacando a importância do apoio familiar na jornada de transição de gênero.
A Marcha Trans & Travesti não apenas promove a visibilidade das questões enfrentadas pela população trans, mas também serve como um espaço de acolhimento e apoio, onde as pessoas podem encontrar serviços essenciais e se conectar com a comunidade. A luta pela democracia, como enfatizado pelos organizadores, é uma luta por inclusão e respeito, refletindo a necessidade de garantir que todos os cidadãos, independentemente de sua identidade de gênero, tenham seus direitos reconhecidos e respeitados.











