Previa: O ministro André Mendonça homologou a delação de Antônio Carlos Freixo Júnior, que traz novas informações sobre o financiamento do filme *Dark Horse*, associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A colaboração pode esclarecer a origem dos recursos utilizados na produção.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou na quarta-feira (9) o acordo de colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Ele é um operador financeiro que relatou à Procuradoria-Geral da República (PGR) movimentações financeiras ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, relacionadas ao financiamento da cinebiografia *Dark Horse*.
A homologação marca o fim de um processo de negociação que teve início em julho. Desde então, Freixo vinha discutindo com a PGR os termos da colaboração e apresentando informações sobre as operações financeiras envolvendo Vorcaro. O acordo foi formalizado no início de setembro e enviado ao STF para análise de Mendonça, que é o relator das investigações sobre o Banco Master.
Na véspera da homologação, Mineiro esteve no gabinete do ministro por cerca de três horas. A audiência teve como objetivo confirmar que sua decisão de colaborar foi voluntária, um passo essencial para a homologação. Com a decisão do STF, o acordo agora possui validade jurídica, permitindo que as informações apresentadas sejam utilizadas nas investigações.
O caminho dos milhões de Dark Horse
A colaboração de Freixo é crucial para a investigação sobre *Dark Horse*, pois ele está diretamente ligado ao fluxo financeiro que sustentou a produção do filme. Sua empresa, a Entre Investimentos, é mencionada nas apurações como intermediária de recursos destinados à Heavengate, um fundo americano que é considerado o principal financiador do projeto.
Freixo relatou movimentações financeiras realizadas a mando de Vorcaro e forneceu dados que podem ajudar a esclarecer a origem e o destino dos valores utilizados. Com a homologação, os investigadores poderão confrontar suas declarações com transferências bancárias, contratos e outros documentos coletados durante a apuração.
Delação começou a ser negociada em julho
As negociações para a colaboração de Freixo começaram em julho, antes que o caso *Dark Horse* ganhasse notoriedade nas últimas semanas. Após as tratativas, a PGR formalizou o acordo e enviou a documentação ao STF no dia 3 de setembro. Apenas cinco dias depois, o empresário compareceu ao gabinete de Mendonça para a audiência de confirmação da voluntariedade, resultando na homologação no dia seguinte.
É importante ressaltar que a homologação não implica que Mendonça tenha validado as declarações de Freixo. O papel do ministro é verificar a regularidade e a legalidade do acordo. O conteúdo apresentado pelo colaborador ainda precisa ser confrontado com as provas reunidas na investigação.
A homologação do acordo abre novas possibilidades para a investigação, especialmente em um momento em que o financiamento de *Dark Horse* se tornou uma das frentes mais sensíveis envolvendo Vorcaro. Após meses de negociações, a colaboração de Freixo pode ser fundamental para responder a questões cruciais sobre a origem dos recursos utilizados no filme e o papel de Vorcaro nesse processo.











