Previa: A falta de chuvas e a incidência de doenças têm impactado severamente a produção de trigo no Centro-Oeste, com Goiás e Mato Grosso do Sul enfrentando perdas significativas nesta safra. A situação levanta preocupações sobre a viabilidade econômica das lavouras e a necessidade de monitoramento constante.
A escassez e a irregularidade das chuvas têm reduzido o potencial produtivo do trigo na safra de 2026 no Centro-Oeste. Em Goiás, a maioria das lavouras irrigadas se mantém, enquanto Mato Grosso do Sul acelera a colheita após perdas significativas devido à falta de água e à brusone, uma doença fúngica que afeta a cultura.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e simulações do Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO) indicam que a insuficiência de água prejudicou diversas fases do desenvolvimento do trigo. Nas áreas de sequeiro, o estresse hídrico comprometeu o perfilhamento e o enchimento dos grãos, resultando em produtividade reduzida e viabilidade econômica comprometida.
Desempenho das Lavouras em Goiás
No estado de Goiás, o desempenho das lavouras variou conforme o sistema produtivo. As áreas sem irrigação foram as mais afetadas pela falta de chuvas, resultando em rendimentos abaixo do esperado. Muitos produtores optaram por não colher os talhões mais comprometidos, utilizando o trigo remanescente para cobertura do solo, o que ajuda a conservar a umidade e preparar o solo para o próximo ciclo.
Por outro lado, as lavouras irrigadas apresentaram um desempenho mais satisfatório. A colheita começou em agosto e, segundo a Conab, não foram registradas ocorrências de brusone nas áreas irrigadas. As temperaturas mais amenas do inverno também contribuíram para a redução da pressão de pragas, elevando a produtividade média do estado.
Impacto da Seca e da Brusone em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, a situação é preocupante, especialmente em Ponta Porã, onde o trigo de sequeiro sofreu com a irregularidade das chuvas. A simulação do INMET apontou uma perda de 54,6% do potencial produtivo devido à baixa disponibilidade hídrica durante fases críticas do ciclo da cultura.
A brusone, que se desenvolveu em condições de umidade e temperatura elevadas, também tem gerado preocupações entre os produtores. A doença pode causar perdas significativas, exigindo monitoramento constante e revisão das estimativas de produção à medida que a colheita avança.
Previsões Futuras e Desafios
As previsões meteorológicas indicam que as chuvas devem continuar irregulares na região entre 3 e 10 de setembro, com maiores acumulados esperados no sudoeste de Mato Grosso do Sul e no sul de Goiás. No entanto, a previsão de chuvas inferiores a 10 milímetros em outras áreas pode agravar ainda mais a situação das lavouras.
Embora a chuva possa beneficiar as áreas em desenvolvimento, o aumento da umidade pode dificultar a colheita e favorecer o surgimento de doenças. Assim, é crucial que os produtores aproveitem os períodos secos para intensificar as operações de colheita e monitoramento fitossanitário, a fim de minimizar perdas e garantir a retirada do trigo nas áreas ainda não colhidas.











