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Indígenas da Amazônia catalogam 15 mil espécies para proteger biodiversidade

Uma colaboração entre indígenas e cientistas busca catalogar a biodiversidade da Terra Indígena Panará, na Amazônia, enfrentando os desafios impostos pelo garimpo ilegal e outras ameaças ambientais.

Indígenas da Amazônia catalogam 15 mil espécies para proteger biodiversidade

Prévia: Uma colaboração entre indígenas e cientistas busca catalogar a biodiversidade da Terra Indígena Panará, na Amazônia, enfrentando os desafios impostos pelo garimpo ilegal e outras ameaças ambientais.

A Terra Indígena Panará, localizada na divisa do Pará com Mato Grosso, abriga uma rica biodiversidade que está sendo mapeada por uma iniciativa que combina conhecimento ancestral indígena e ciência acadêmica. Até agora, quase 15 mil espécies de fauna e flora foram registradas em um território de 500 mil hectares, destacando a importância da preservação ambiental na região.

O projeto é uma parceria entre a Conservação Internacional (CI-Brasil), a Rede Xingu+, a Associação Indígena Iakiô e diversas universidades públicas. Essa colaboração visa criar um inventário das espécies locais, essencial para a conservação em uma área ameaçada por atividades ilegais, como o garimpo.

Trabalho em conjunto

Pesquisadores indígenas e acadêmicos têm realizado expedições pelo território, coletando imagens e amostras de espécies, além de dados sobre a qualidade da água do Rio Rriri, um afluente do Rio Xingu. Kiarysy Kaiabi Panará, conhecido como Cutia, destaca a importância dessa troca de conhecimentos: “Foi muito bom trabalhar junto com pesquisadores não indígenas. Um ensinou ao outro”.

Renata Pinheiro, diretora do programa de Povos Indígenas e Comunidades Locais da CI-Brasil, ressalta que os acadêmicos trazem tecnologia, enquanto os indígenas possuem um conhecimento profundo sobre o território. “Os Panará sabem ler a floresta de um jeito que nenhum instrumento científico consegue substituir”, afirma.

Tecnologia e capacitação

Os pesquisadores indígenas receberam treinamento em ferramentas como GPS e aplicativos de catalogação, além de aprenderem a usar câmeras trap para monitorar a fauna local. Pentê Panará, uma das pesquisadoras, expressa sua satisfação com a experiência: “Quando as câmeras capturaram os bichos de pelo, conseguimos identificar mais espécies do que conhecíamos”.

A participação feminina no projeto também é destacada, com Pentê enfatizando o interesse das mulheres da comunidade em se envolver com a tecnologia e a pesquisa. “Acho que outras mulheres Panará também gostariam de participar”, afirma.

Descobertas significativas

O inventário já catalogou 602 espécies, das quais 27 estão criticamente ameaçadas de extinção. Uma árvore, conhecida como Já pelos Panará, está sendo estudada como uma possível nova descoberta científica, embora já seja familiar para a comunidade local.

Renata Pinheiro explica que a confirmação da nova espécie ainda depende de coletas adicionais durante a floração. “Ainda precisamos conseguir coletar esse indivíduo novamente para fazer essa análise”, diz.

Futuro do projeto

Atualmente, o trabalho enfrenta desafios financeiros que interromperam as expedições. No entanto, há esperança de que o programa seja retomado para concluir o inventário. Pentê Panará acredita que ainda há muito a ser descoberto na floresta: “Durante a pesquisa, sempre encontramos rastros de outros bichos. Para mim, ainda tem muitos mais”.

Ao final do projeto, os dados coletados serão disponibilizados no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SIBBr), garantindo que o conhecimento indígena seja reconhecido e respeitado. Renata Pinheiro destaca a importância de um protocolo que assegura que os pesquisadores indígenas sejam reconhecidos como autores do conhecimento gerado.

Esse esforço conjunto não apenas promove a conservação da biodiversidade, mas também fortalece a autonomia e o reconhecimento dos saberes tradicionais dos povos indígenas, essenciais para a preservação do meio ambiente na Amazônia.

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