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Quem Ama Cuida… Do Ibope: O Triunfo de Claudia Souto às 21h

Da sala de roteiro da 'TV Colosso' e 'Casseta & Planeta' ao topo da teledramaturgia nacional: como a sensibilidade feminina e a direção cirúrgica de Amora Mautner blindaram a nova...

O Nobre Toque de Midas de Claudia Souto: O Fenômeno que Nem a Copa do Mundo Conseguiu Esfriar
Por Denilson Andrade

Colunista de TV, Arte,Cultura e Entretenimento do Portal Exposed Brasil
Escrever novela no Brasil é quase um esporte de resistência; fazê-lo dividindo a bancada com o furacão Walcyr Carrasco no horário nobre, sob o fantasma de uma grade engolida pelos horários caóticos de uma Copa do Mundo, beira o milagre. Mas é exatamente neste cenário que Claudia Souto mostra que não é apenas uma operária dedicada da televisão — ela é uma estrategista de primeira grandeza. Sua estreia como titular na faixa das 21h em Quem Ama Cuida não é apenas um sucesso comercial mensurado nos robustos 22.7 pontos de audiência geral; é um acerto cultural.
A trama, que recentemente bateu recordes na Grande São Paulo ao cravar picos que encostaram nos 26 pontos, devolveu ao telespectador o prazer do folhetim clássico sem abrir mão do debate progressista. Souto usa o alcance massivo do horário mais cobiçado da publicidade nacional para colocar o dedo na ferida de temas urgentes, como o machismo estrutural enraizado nas dinâmicas profissionais. Ela faz isso com a inteligência de quem não discursa para convertidos, mas dialoga com a dona de casa e o jovem da internet por meio de ganchos impecáveis.
Do Pastelão Clássico ao Peso do Horário Nobre
Para quem observa de longe o fenômeno atual, vale o mergulho na biografia da autora. Claudia Souto não caiu de paraquedas na elite dos contadores de história da Rede Globo. Ela traz na bagagem a agilidade cômica dos tempos em que integrava a sala de roteiro do lendário Casseta & Planeta, Urgente!, além de uma bagagem valiosa na formação de público infantojuvenil. Foi ela quem ajudou a ditar o ritmo de clássicos geracionais como a icônica TV Colosso, o lúdico Bambuluá (liderado por Angélica) e a consagrada versão dos anos 2000 do Sítio do Picapau Amarelo — laboratórios perfeitos onde lapidou a leveza e a agilidade que hoje transbordam em seus diálogos.
A parceria com Walcyr Carrasco, inclusive, é antiga e vem de uma sólida colaboração em sucessos das 19h como Caras & Bocas (2009) e Morde & Assopra (2011). Após alçar voo solo na faixa das sete com o carisma de Pega Pega (2017) e a incompreendida, porém esteticamente ousada, Cara e Coragem (2022), a autora deu sua grande “volta por cima” em Volta por Cima (2024), credenciando-se de vez para o Olimpo da teledramaturgia.
O Casamento Perfeito Entre Texto e Tela
Se o texto de Claudia e Walcyr pulsa com vivacidade, a execução ganha contornos de obra de arte sob o comando de Amora Mautner. A diretora artística é defendida publicamente por Souto, que faz questão de exaltar seu talento inquestionável em traduzir nuances dramáticas em imagens potentes. Mautner consegue equilibrar o tom folhetinesco rasgado — visível na derrocada hilária e melancólica das peruas falidas vividas por Deborah Evelyn — com a crueza cirúrgica da saga de vingança da protagonista Adriana (Leticia Colin).
Quem Ama Cuida sobrevive ao teste de fogo do futebol e da fragmentação do streaming por um motivo muito simples: tem estofo, tem verdade e tem uma assinatura feminina que faz toda a diferença quando o assunto é debater as dores do mundo real. Cláudia Souto, definitivamente, tomou o horário nobre para si. Sorte a nossa

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