Previa: O mercado de algodão no Brasil apresenta uma leve recuperação nos preços, impulsionada pela oferta restrita e pela demanda específica da indústria. A expectativa é de que a nova safra traga mudanças significativas no cenário comercial.
O mercado brasileiro de algodão passou por uma semana de baixa movimentação, caracterizada pela cautela dos compradores e pela expectativa de maior entrada da nova safra. Apesar do ritmo lento, os preços mostraram uma leve reação nos últimos dias, sustentados pela oferta interna restrita e por compras específicas da indústria para reposição de estoques.
De acordo com a Safras Consultoria, as cotações oscilaram entre estabilidade e pequenas quedas ao longo da semana, mas ganharam força na quinta-feira (6), refletindo a necessidade imediata de abastecimento de alguns compradores. Essa dinâmica pode indicar uma recuperação gradual no setor, que é vital para a economia rural.
Preço do algodão sobe no mercado paulista e em Mato Grosso
No mercado paulista, o algodão foi cotado próximo de R$ 4,18 por libra-peso, equivalente a aproximadamente R$ 138,23 por arroba. Em comparação com a quinta-feira anterior, quando a pluma era negociada a R$ 4,15 por libra-peso, houve uma valorização semanal de 0,72%.
Em Mato Grosso, um dos principais polos produtores e exportadores do Brasil, o algodão comercializado em Rondonópolis alcançou cerca de R$ 132,87 por arroba, ou R$ 3,86 por libra-peso, representando um avanço de R$ 1,18 por arroba em relação à semana anterior. Essa valorização é um reflexo da menor disponibilidade imediata de pluma no mercado.
Os produtores e compradores estão atentos à definição do ritmo de oferta da próxima temporada, que pode impactar ainda mais as negociações e os preços do algodão no Brasil.
Demanda brasileira segue sustentada pelas exportações
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que a demanda pela safra 2024/25 é estimada em 2,75 milhões de toneladas, um aumento de 12,69% em relação à temporada anterior. Esse crescimento está diretamente ligado ao forte desempenho das exportações brasileiras de algodão, que continuam sendo o principal destino da produção estadual.
A expectativa é que, até o final do ciclo comercial da safra, em julho de 2026, os embarques totalizem aproximadamente 2,09 milhões de toneladas. Com isso, os estoques finais da safra 2024/25 são projetados em 842,33 mil toneladas, com cerca de 97,25% já comercializados.
Safra 2025/26 deve ter menor oferta e redução dos estoques
Para a temporada 2025/26, o Imea manteve a estimativa de demanda em 2,73 milhões de toneladas, uma retração de 0,62% em relação ao ciclo anterior. Essa redução é atribuída à expectativa de menor volume destinado a outros estados e ao mercado internacional, refletindo a projeção de queda na oferta de algodão.
A produção da safra 2025/26 deve apresentar uma redução de 2,24% em comparação com a temporada anterior, o que limitará a disponibilidade do produto ao longo do ciclo. Como resultado, os estoques finais devem cair 7,55% em relação à safra 2024/25, com cerca de 20,65 mil toneladas ainda disponíveis sem negociação ao final da temporada.
Mercado de algodão acompanha nova safra e cenário internacional
O setor permanece atento ao avanço da colheita, ao comportamento das exportações e à evolução da demanda da indústria têxtil. Com estoques mais ajustados e uma menor oferta projetada para a próxima temporada, o mercado de algodão no Brasil tende a se manter equilibrado entre a necessidade de reposição dos compradores e a estratégia dos produtores em relação ao ritmo de comercialização.
A expectativa é que a entrada gradual da nova safra aumente a liquidez dos negócios, mas sem eliminar totalmente a sustentação dos preços, especialmente considerando a importância do Brasil no comércio internacional da fibra. O cenário atual exige atenção e estratégia por parte de todos os envolvidos na cadeia produtiva do algodão.











