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Preço do trigo se mantém estável no Brasil apesar da queda em Chicago

O preço do trigo no Brasil se mantém estável, mesmo com a queda nas cotações internacionais. O mercado interno observa atentamente a nova safra e as possíveis importações, enquanto...

Preço do trigo se mantém estável no Brasil apesar da queda em Chicago

Previa: O preço do trigo no Brasil se mantém estável, mesmo com a queda nas cotações internacionais. O mercado interno observa atentamente a nova safra e as possíveis importações, enquanto a pressão global aumenta.

O mercado de trigo brasileiro inicia agosto com uma dualidade: enquanto os preços se mantêm firmes no país, as cotações internacionais enfrentam pressão. A Bolsa de Chicago (CBOT) viu uma queda significativa, influenciada por ajustes técnicos e a expectativa de aumento na oferta global do cereal. Essa situação gera um ambiente de cautela entre os produtores e moinhos, que buscam garantir a qualidade do abastecimento.

Trigo mantém preços firmes no Sul do Brasil

No Sul do Brasil, a dinâmica de preços varia entre os estados, mas todos refletem uma postura cautelosa. Segundo a TF Agroeconômica, o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná apresentam comportamentos distintos, com o primeiro registrando uma valorização de 0,25% nos preços do trigo, conforme levantamento do Cepea.

No interior do Rio Grande do Sul, as negociações para retirada em agosto e pagamento em setembro giraram em torno de R$ 1.300 por tonelada, com o trigo melhorador alcançando R$ 1.350. Produtos de qualidade superior foram negociados a R$ 1.460 CIF, enquanto o trigo padrão ficou próximo de R$ 1.380 CIF. A valorização do trigo argentino nacionalizado, cotado a US$ 292 por tonelada, também foi um destaque, com alta de 6,2% na semana.

Entretanto, os moinhos enfrentam desafios devido aos altos níveis de DON (deoxinivalenol) em parte do cereal disponível, o que limita a oferta de trigo de melhor qualidade. Na região de Panambi, o preço pago ao produtor caiu para R$ 69 por saca, refletindo as dificuldades enfrentadas no setor.

Comercialização da nova safra segue lenta

A comercialização antecipada da safra 2026/27 está aquém do ritmo do ano anterior. Aproximadamente 60 mil toneladas foram negociadas no Rio Grande do Sul, menos da metade do volume do mesmo período da safra passada. As incertezas climáticas, especialmente relacionadas ao fenômeno El Niño, levam analistas a recomendar cautela nas vendas físicas antecipadas.

Para aqueles que desejam fixar preços, a utilização de instrumentos de proteção no mercado futuro é sugerida. Essa estratégia pode ajudar os produtores a mitigar riscos em um cenário de incertezas.

Santa Catarina e Paraná apresentam cenários distintos

Em Santa Catarina, o mercado permanece lento, com moinhos abastecidos e uma moagem reduzida. Os preços do trigo destinado à panificação variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto o plantio da nova safra avança lentamente.

No Paraná, os preços médios subiram 0,80%, impulsionados pela demanda por trigo e farinhas de melhor qualidade. Negócios na região de Curitiba foram registrados em torno de R$ 1.450 CIF moinho, mas os produtores ainda estão hesitantes em vender a nova safra. Projeções indicam que o estado pode precisar importar cerca de 1,5 milhão de toneladas de trigo em 2027, destacando a importância do mercado externo.

Chicago recua com expectativa de maior oferta mundial

Enquanto o mercado brasileiro se mantém estável, os contratos futuros de trigo na Bolsa de Chicago fecharam em forte baixa. O contrato para setembro caiu 1,71%, enquanto o vencimento de dezembro recuou 1,62%. Essa queda é atribuída à realização de lucros e ajustes técnicos, além das expectativas de grandes colheitas na Rússia e na Ucrânia.

Esses fatores diminuem as preocupações com o abastecimento global, mas o conflito no Mar Negro continua a influenciar os preços internacionais. Recentemente, um ataque russo a um navio de trigo na região ucraniana interrompeu operações logísticas, aumentando os riscos para o comércio internacional do cereal.

Mercado acompanha relatório do USDA

A expectativa pela divulgação do próximo relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também limita movimentos mais intensos nas cotações. Na última semana, as vendas líquidas norte-americanas de trigo da safra 2026/27 somaram 296,4 mil toneladas, com as Filipinas como principal destino.

Perspectiva

O mercado de trigo continua dividido entre fundamentos locais e internacionais. No Brasil, a oferta restrita de cereal de qualidade, a cautela dos produtores e a necessidade de futuras importações sustentam os preços. No entanto, a expectativa de grandes safras no Leste Europeu pressiona as cotações, enquanto os riscos logísticos no Mar Negro e os próximos relatórios do USDA podem alterar rapidamente o equilíbrio entre oferta e demanda mundial.

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