Previa: A estiagem pode levar muitos pecuaristas a subestimar o risco de verminoses em bovinos, mas especialistas alertam que os parasitas podem permanecer ativos por meses, prejudicando a produtividade e gerando perdas financeiras significativas.
A chegada do período seco geralmente diminui a preocupação dos pecuaristas em relação às verminoses bovinas. No entanto, especialistas destacam que a estiagem não elimina o risco de infestações parasitárias. Os vermes adquiridos anteriormente podem persistir no organismo dos animais por até seis meses, comprometendo a produtividade e aumentando os prejuízos econômicos nas fazendas.
Embora a baixa umidade reduza a sobrevivência de ovos e larvas nas pastagens, os parasitas já instalados no trato gastrointestinal dos bovinos continuam a consumir nutrientes essenciais. Isso afeta diretamente o ganho de peso, a conversão alimentar e o desempenho zootécnico do rebanho, especialmente em sistemas de criação extensivos.
Impactos das verminoses na produtividade
De acordo com Ingo Mello, médico-veterinário e gerente técnico de Gado de Corte da Ourofino Saúde Animal, infecções adquiridas antes da seca permanecem ativas durante grande parte desse período. Os parasitas internos competem pelos nutrientes ingeridos pelos animais em um momento em que a qualidade das pastagens é naturalmente menor.
Essa combinação de fatores potencializa os efeitos negativos sobre o desempenho produtivo. A perda de peso dos bovinos, frequentemente atribuída à qualidade das forragens, pode ser agravada pela presença de verminoses, que também provocam lesões no trato gastrointestinal e aumentam o gasto energético dos animais.
Sinais de alerta e controle preventivo
Os produtores devem estar atentos a sinais que podem indicar a presença de parasitas internos, como dificuldade para ganhar peso, redução do escore corporal e pelagem opaca. Embora esses sintomas possam estar relacionados a outras condições, uma avaliação cuidadosa do histórico sanitário e das condições das pastagens é fundamental antes de definir o tratamento.
O controle das verminoses deve ser parte do planejamento sanitário da propriedade. Especialistas recomendam que a estratégia leve em conta fatores como categoria e idade dos bovinos, histórico de infestações e épocas de maior risco. O monitoramento constante do desempenho dos animais é crucial, especialmente para os jovens em fase de recria, que são mais suscetíveis às verminoses.
Desafios e estratégias de manejo
A resistência dos parasitas aos vermífugos é um desafio crescente na pecuária brasileira. O uso repetido de um mesmo princípio ativo e a falta de diagnósticos adequados podem reduzir a eficácia dos tratamentos. Por isso, médicos-veterinários recomendam a revisão periódica dos programas de controle, adaptando-os às características de cada propriedade.
Em sistemas extensivos, reunir o rebanho com frequência pode aumentar os custos operacionais e o estresse dos animais. Protocolos de controle com produtos de ação prolongada, quando indicados por profissionais, podem ajudar a ampliar o período de proteção e reduzir a necessidade de manejos frequentes.
Manter o rebanho saudável é essencial para a rentabilidade da pecuária. O controle estratégico das verminoses, aliado a um manejo nutricional adequado e acompanhamento veterinário, contribui para minimizar perdas econômicas e melhorar o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.
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