Previa: Um novo relatório do Rabobank destaca que, apesar da desaceleração da inflação, os consumidores brasileiros enfrentam desafios significativos, incluindo endividamento elevado e riscos climáticos que podem impactar a produção agrícola.
A economia brasileira mostra sinais de recuperação, mas o cenário para o consumidor permanece desafiador. O relatório “O Consumidor Brasileiro em Foco”, do RaboResearch, revela que, embora a inflação tenha diminuído, o endividamento e a perda de poder de compra continuam a pressionar as famílias.
Nos últimos meses, a inflação desacelerou, principalmente devido à queda nos preços dos alimentos, que haviam registrado altas significativas anteriormente. No entanto, o relatório alerta que a convergência para a meta de inflação é lenta e que fatores como a possibilidade de um evento de El Niño e a volatilidade nos preços de energia e fertilizantes podem complicar ainda mais a situação.
Inflação dos alimentos e mercado de trabalho
A inflação dos alimentos voltou a ganhar força no segundo trimestre de 2026, especialmente nos produtos in natura. As expectativas são de que, caso o El Niño se confirme, a produção agrícola possa ser afetada, resultando em novas pressões sobre os preços.
O estudo projeta que a inflação dos alimentos deve encerrar o ano em 6,4%, um aumento significativo em relação aos 1,4% de 2025. Isso terá um impacto direto sobre frutas, verduras e hortaliças, que são itens essenciais na dieta dos brasileiros.
Apesar de o mercado de trabalho apresentar uma taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, o rendimento médio das famílias caiu para R$ 3.621 em junho, uma redução de 1,6% em relação a março. Essa desaceleração é atribuída à política monetária restritiva e ao crescimento econômico mais lento.
Endividamento e poder de compra
O endividamento das famílias brasileiras continua elevado, com cerca de metade da renda destinada ao pagamento de dívidas. Os índices de inadimplência permanecem próximos aos níveis mais altos dos últimos anos, o que agrava a situação financeira das famílias.
Além disso, o poder de compra dos consumidores está sob pressão. A relação entre o rendimento médio e o custo da cesta básica caiu para 2,7 cestas, dificultando a ampliação do consumo em um cenário de juros altos e crédito restrito.
Perspectivas para o agronegócio
No setor de alimentos, o relatório aponta que as carnes de frango e suína estão se tornando mais competitivas em relação à carne bovina, que enfrenta pressão devido às exportações recordes. A produção de leite, por outro lado, deve continuar a aumentar os preços, impactando o consumidor.
O Rabobank também observa que o mercado de café apresenta uma tendência de queda nos preços, enquanto as bebidas alcoólicas estão passando por reajustes moderados. Essas dinâmicas refletem a complexidade do cenário econômico e as variações na oferta e demanda.
O terceiro trimestre de 2026 poderá trazer tanto oportunidades quanto desafios para o agronegócio. A recuperação gradual do consumo pode ser favorecida pela desaceleração da inflação, mas os riscos climáticos e econômicos ainda representam uma ameaça significativa à estabilidade do setor.











