Previa: A startup Lumilens, especializada em interconexões ópticas, arrecadou mais de US$ 700 milhões para revolucionar a infraestrutura de data centers, substituindo conexões elétricas por sistemas baseados em luz. Essa inovação surge em um momento de crescente demanda por capacidade computacional para inteligência artificial.
A Lumilens, uma startup americana localizada em San Jose, Califórnia, acaba de levantar mais de US$ 700 milhões em uma nova rodada de investimentos, elevando sua avaliação para US$ 5,5 bilhões. A empresa visa transformar a comunicação entre servidores em data centers, substituindo as conexões elétricas tradicionais por sistemas ópticos que utilizam luz. Essa mudança é impulsionada pela crescente necessidade de capacidade computacional para suportar aplicações de inteligência artificial.
O investimento foi liderado por grandes nomes do capital de risco, como Atreides Management e Bain Capital Ventures. Desde sua fundação há dois anos, a Lumilens já captou mais de US$ 900 milhões e começou a fornecer seus equipamentos a um importante provedor de nuvem, cujo nome ainda não foi revelado.
A corrida pela infraestrutura da inteligência artificial
Com o aumento da demanda por inteligência artificial, os data centers enfrentam desafios significativos em relação à velocidade e eficiência das conexões entre processadores. Atualmente, muitas dessas ligações ainda dependem de cabos de cobre, que, embora sejam econômicos e confiáveis, apresentam limitações em termos de capacidade de transmissão e distância.
A Lumilens se destaca ao oferecer soluções baseadas em tecnologia fotônica, que prometem superar essas barreiras. A proposta consiste em utilizar transmissões de luz para conectar processadores, permitindo uma transferência de dados mais rápida e eficiente.
Outras empresas também estão explorando esse setor em crescimento. A Lightmatter, por exemplo, já arrecadou US$ 850 milhões e foi avaliada em US$ 4,4 bilhões em 2024. A Celestial AI, que desenvolvia uma abordagem similar, foi adquirida pela Marvell por US$ 3,25 bilhões em fevereiro deste ano.
Custo ainda é principal barreira
Apesar das promessas da tecnologia óptica, a adoção em larga escala enfrenta um obstáculo significativo: o custo. Equipamentos ópticos são consideravelmente mais caros do que suas contrapartes em cobre, conforme apontado por Ankur Singla, CEO da Lumilens.
Singla revelou que a estratégia da empresa é reduzir a diferença de custo entre os dois tipos de tecnologia, facilitando a transição para soluções ópticas. Além disso, a startup está focada em manter a produção fora da China, especialmente após preocupações relacionadas a restrições governamentais sobre componentes de data centers.
Produtos miram diferentes conexões
A Lumilens está desenvolvendo duas categorias principais de produtos. A primeira é voltada para a comunicação entre racks dentro de um data center, conhecida como “scale out”. A segunda se concentra na conexão de chips dentro de um único rack, chamada de “scale up”.
O primeiro produto comercializado pela empresa é um transceptor óptico, que converte sinais elétricos em luz, permitindo a transmissão de dados por cabos de fibra óptica. Este equipamento já está sendo enviado para um grande provedor de nuvem, que o utiliza em conjunto com seus chips de inteligência artificial.
A expectativa da Lumilens é que a crescente adoção da inteligência artificial acelere a mudança que a indústria de data centers espera há anos. Embora a tecnologia óptica tenha sido considerada uma alternativa viável ao cobre, seu alto custo limitou sua implementação em larga escala até agora.











