Previa: A Reforma Tributária, que entra em vigor em 2027, exige uma gestão rigorosa dos cadastros no agronegócio para garantir a recuperação de créditos tributários. A falta de precisão nas informações pode impactar significativamente o fluxo de caixa das empresas do setor.
A fase de testes da Reforma Tributária, iniciada em janeiro de 2026, trouxe à tona a importância da qualidade dos cadastros para cooperativas, agroindústrias e demais empresas do agronegócio. Com a nova legislação, informações inconsistentes sobre produtores, fornecedores e prestadores de serviços podem comprometer o aproveitamento dos créditos de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).
O novo modelo tributário determina que o crédito só será reconhecido se o fornecedor da etapa anterior cumprir corretamente suas obrigações fiscais. Isso significa que qualquer erro cadastral pode resultar na perda desses créditos, afetando diretamente a saúde financeira de toda a cadeia produtiva.
Desafios na gestão de dados no agronegócio
A complexidade do agronegócio aumenta os desafios na gestão de dados, uma vez que envolve uma vasta rede de agentes. Cooperativas e agroindústrias interagem com milhares de produtores rurais, empresas de transporte, revendas de insumos e prestadores de serviços, tornando a precisão das informações ainda mais crítica.
Erros em dados como CPF, CNPJ, Inscrição Estadual e classificação fiscal podem levar a problemas sérios, como notas fiscais rejeitadas e bloqueio de créditos fiscais. Isso não só aumenta o risco de autuação, mas também pode comprometer a operação das empresas.
Leonardo Libardi, CEO da Akquinet Brasil, destaca que a governança de dados se tornou uma estratégia essencial para as áreas fiscal, financeira e de compras, e não apenas uma atividade operacional da Tecnologia da Informação. A qualidade dos dados é crucial para proteger o fluxo de caixa das empresas no setor.
Investimentos em tecnologia e governança de dados
Com a iminente mudança tributária, o mercado de tecnologia está se movimentando. Um levantamento da Deloitte revela que 77% das empresas brasileiras planejam aumentar seus investimentos em tecnologia em 2026, focando em sistemas ERP, automação fiscal e soluções de governança cadastral.
Libardi enfatiza que a transição tributária está diretamente ligada à qualidade das informações corporativas. A reforma elimina muitos processos manuais, tornando a governança cadastral uma prioridade para evitar a perda de créditos tributários.
A responsabilidade pela validação dos cadastros agora é compartilhada entre diversas áreas, como Compras, Finanças e Tecnologia. Isso implica a necessidade de processos permanentes de validação e atualização das informações, minimizando erros e aumentando a segurança das operações fiscais.
Riscos e impactos da transição tributária
Os fornecedores são considerados os maiores riscos nesse primeiro momento da Reforma Tributária, uma vez que a regularidade fiscal deles afetará diretamente a utilização dos créditos de IBS e CBS. A correta classificação e o cadastro dos fornecedores são essenciais para garantir a competitividade das empresas.
Embora um período de adaptação tenha sido estabelecido sem penalidades automáticas, especialistas alertam que os riscos operacionais já estão presentes. Inconsistências cadastrais podem atrasar pagamentos e comprometer a emissão de documentos fiscais, impactando a logística e a recuperação de créditos tributários.
Empresas que anteciparem a revisão e a governança de seus cadastros estarão em uma posição mais forte para enfrentar a transição e manter sua competitividade quando a nova cobrança começar em 2027. A preparação é fundamental para mitigar riscos e garantir a sustentabilidade financeira no agronegócio.











