Previa: O cibercrime evoluiu para uma estrutura organizada e altamente profissionalizada, impulsionada por inteligência artificial e automação, segundo um novo relatório da Infoblox. Essa transformação apresenta desafios significativos para a segurança digital das empresas.
O cenário do cibercrime mudou drasticamente, deixando de ser composto por ataques isolados para se tornar uma economia criminosa complexa e interconectada. O Relatório sobre o Cenário de Ameaças de 2026, divulgado pela Infoblox, destaca como a inteligência artificial (IA) e a automação estão moldando essa nova realidade, tornando os ataques mais rápidos e eficientes.
De acordo com o estudo, a profissionalização das operações criminosas tem reduzido o tempo que as empresas têm para detectar e responder a ataques. Isso torna as abordagens tradicionais de segurança, que se baseiam apenas na detecção e resposta, cada vez menos eficazes.
IA e serviços especializados aceleram ataques
A combinação de ferramentas de IA com serviços criminosos especializados e infraestruturas ocultas permite que hackers realizem ataques em uma escala sem precedentes. A Infoblox descreve um ecossistema onde diferentes grupos oferecem serviços específicos, como hospedagem de infraestrutura e distribuição de malware, facilitando a execução de atividades maliciosas.
Esse modelo de operação não só reduz as barreiras de entrada para novos criminosos, mas também amplia o alcance das atividades ilícitas. Renée Burton, vice-presidente da Infoblox Threat Intel, enfatiza que a principal mudança é a facilidade de acesso a recursos avançados, o que altera o ritmo do cibercrime e desafia as estratégias de segurança existentes.
Infraestrutura descartável dificulta defesa
Um dos aspectos mais alarmantes do relatório é o uso crescente de infraestrutura temporária para suportar ataques cibernéticos. A Infoblox identificou que cerca de 25% dos 120 milhões de domínios observados pela primeira vez apresentavam riscos altos ou críticos, indicando uma dependência de domínios descartáveis para atividades criminosas.
Além disso, o estudo revela que 88% dos domínios associados a ameaças foram identificados em apenas um cliente, e 44% permaneceram ativos por apenas um dia. Essa estratégia dificulta a identificação e o bloqueio por parte das equipes de segurança.
Sistemas de distribuição de tráfego lideram ameaças
Os Traffic Distribution Systems (TDSs) foram identificados como a ameaça mais comum, presentes em mais de 95% das redes analisadas. Esses sistemas direcionam automaticamente as vítimas para páginas de phishing e distribuem malware, adaptando os ataques conforme o perfil do usuário.
Por operarem de forma discreta, esses sistemas são difíceis de detectar e representam um grande desafio para a segurança digital. A utilização de redes de proxies residenciais também tem sido uma tática comum entre criminosos, dificultando a diferenciação entre tráfego legítimo e malicioso.
Empresas precisam rever estratégias, diz Infoblox
O relatório conclui que o cibercrime se transformou em uma cadeia produtiva altamente especializada, baseada em automação e compartilhamento de infraestrutura. Para enfrentar esse novo cenário, a Infoblox recomenda que as empresas revisem suas estratégias de segurança, adotando abordagens proativas que identifiquem e interrompam ameaças antes que elas atinjam os sistemas corporativos.
Com a evolução do cibercrime, a necessidade de inovação nas práticas de segurança digital se torna cada vez mais urgente, exigindo uma adaptação constante às novas realidades do ambiente digital.











