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Etanol de milho perde rentabilidade e coprodutos garantem lucro das usinas

A queda nos preços do etanol de milho em 2026 impactou a rentabilidade das usinas brasileiras, que agora dependem cada vez mais dos coprodutos, como DDG e óleo de milho...

Etanol de milho perde rentabilidade e coprodutos garantem lucro das usinas

Previa: A queda nos preços do etanol de milho em 2026 impactou a rentabilidade das usinas brasileiras, que agora dependem cada vez mais dos coprodutos, como DDG e óleo de milho, para manter suas margens positivas.

A recente queda nos preços do etanol em 2026 trouxe alívio para os consumidores, mas gerou desafios significativos para as usinas brasileiras. As unidades que utilizam milho como matéria-prima enfrentam uma situação crítica, com o biocombustível sendo vendido abaixo do custo médio de produção em várias regiões do país. Isso fez com que os coprodutos industriais se tornassem essenciais para a sustentabilidade financeira do setor.

De acordo com um levantamento da consultoria Pecege, o custo médio para produzir um litro de etanol de milho é de aproximadamente R$ 2,75. No entanto, em Mato Grosso, o maior produtor nacional, as usinas estão recebendo cerca de R$ 2,62 por litro, o que evidencia a pressão sobre a rentabilidade.

Coprodutos como solução para a rentabilidade

Os coprodutos, como os grãos secos de destilaria (DDG) e o óleo de milho, estão se tornando fundamentais para a manutenção das margens das usinas. A venda de DDG adiciona em média R$ 0,73 por litro de etanol produzido, enquanto o óleo de milho contribui com cerca de R$ 0,20 por litro. Juntos, esses produtos geram uma receita adicional de R$ 0,93 por litro, ajudando a compensar as perdas causadas pelos preços baixos do biocombustível.

João Rosa, diretor do Pecege, destaca que a diversificação das receitas é crucial neste cenário. Ele afirma que, atualmente, os coprodutos são os responsáveis por sustentar a cadeia do milho, especialmente em tempos de preços desafiadores para o etanol.

Estratégias de valorização dos coprodutos

A FS, segunda maior produtora de etanol de milho do Brasil, tem apostado na agregação de valor aos coprodutos. O CEO da empresa, Rafael Abud, ressalta que o etanol, por si só, não cobre todos os custos operacionais. A produção de diferentes categorias de DDG, como as versões de alta proteína e alta fibra, permite à empresa atender a segmentos específicos do mercado de nutrição animal.

Além disso, a FS está direcionando parte da produção de óleo de milho para o mercado internacional, especialmente na Europa, onde o produto é utilizado na fabricação de combustíveis sustentáveis. Essa estratégia não apenas amplia a rentabilidade, mas também atende à crescente demanda por produtos sustentáveis.

O papel da CerradinhoBio no mercado

A CerradinhoBio, terceira maior produtora de etanol de milho, também enfrenta desafios semelhantes. O CEO Renato Pretti afirma que a receita do etanol cobre apenas de 70% a 80% dos custos operacionais, com os coprodutos desempenhando um papel vital no equilíbrio financeiro da empresa. A CerradinhoBio tem investido na expansão de sua área comercial para aumentar a presença do DDG no mercado de nutrição animal.

Além disso, a empresa está focada em melhorar a eficiência da extração do óleo de milho, uma vez que este apresenta um valor significativamente maior em comparação ao DDG. A tonelada de óleo de milho pode ser comercializada entre R$ 5 mil e R$ 6 mil, enquanto o DDG gira em torno de R$ 1 mil.

Perspectivas futuras para o setor

Com a crescente produção de etanol de milho, os coprodutos se tornaram ativos estratégicos para a indústria. Eles não apenas abastecem o setor pecuário, mas também integram cadeias voltadas para a economia de baixo carbono. Especialistas acreditam que, enquanto os preços do etanol permanecem pressionados, a importância do DDG e do óleo de milho deve aumentar, consolidando um novo modelo de negócios para o setor.

O avanço das exportações e a demanda crescente por proteína animal e combustíveis sustentáveis são fatores que devem impulsionar a relevância econômica desses coprodutos nos próximos anos, garantindo uma maior sustentabilidade financeira para as usinas de etanol de milho no Brasil.

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