Prévia: O mercado de açúcar enfrenta um cenário de incertezas, com a possibilidade de déficit global e os efeitos do El Niño sobre a produção. As cotações nas bolsas internacionais refletem essa preocupação, enquanto o Brasil observa atentamente as condições climáticas que podem impactar sua colheita.
O início de agosto trouxe um clima de cautela para o mercado global de açúcar, impulsionado por expectativas de déficit na oferta mundial e incertezas climáticas em regiões produtoras. As cotações nas bolsas internacionais, como Nova York e Londres, estão em alta, refletindo essas preocupações, enquanto o mercado brasileiro observa atentamente os impactos do fenômeno El Niño na produção de cana-de-açúcar.
Os contratos futuros de açúcar bruto na ICE Futures US fecharam em alta, com o vencimento de outubro de 2026 cotado a 15,01 centavos de dólar por libra-peso, um aumento de 2,4% em relação ao fechamento anterior. Na ICE Futures Europe, o açúcar branco também apresentou valorização, com o contrato de outubro subindo para US$ 469,50 por tonelada, indicando um otimismo crescente em relação à oferta global.
Expectativas de déficit sustentam preços
A expectativa de um déficit na oferta mundial é o principal fator que sustenta os preços. Levantamentos indicam que os contratos futuros podem encerrar 2026 cerca de 4% acima dos níveis atuais, devido à menor disponibilidade da commodity. As preocupações climáticas em grandes produtores, especialmente na Índia, intensificam essa situação.
As previsões meteorológicas para a Índia são motivo de atenção. Embora julho tenha registrado chuvas próximas da média, as projeções para agosto e setembro indicam precipitações abaixo do esperado, o que pode impactar negativamente a produtividade da cana-de-açúcar e aumentar a cautela entre investidores.
Impactos do El Niño na produção brasileira
O fenômeno El Niño é outro fator crucial a ser monitorado. A Organização Meteorológica Mundial prevê que o evento se intensifique, especialmente entre agosto e outubro de 2026. No Centro-Sul do Brasil, as projeções indicam um aumento nas chuvas, o que pode beneficiar os canaviais, mas também trazer riscos, como o excesso de umidade que pode dificultar a colheita.
No mercado interno, a liquidez permanece limitada, com negociações pontuais entre usinas e compradores. O açúcar cristal branco em São Paulo apresenta movimentações moderadas, refletindo um equilíbrio entre a oferta e a cautela dos agentes diante do cenário climático e internacional.
Recuperação no mercado de etanol
O segmento de biocombustíveis, por sua vez, mostra sinais de recuperação. O etanol hidratado registrou leve alta, com o preço em R$ 2.132,00 por metro cúbico no início de agosto. Esse movimento sugere uma expectativa de estabilidade no mercado de combustíveis renováveis, que também é influenciado pela moagem da cana e pela destinação da matéria-prima entre açúcar e etanol.
Os especialistas alertam que o comportamento dos preços de açúcar e etanol continuará a ser fortemente influenciado pelas condições climáticas nos principais países produtores. A situação na Índia e na Tailândia, em particular, está sob vigilância, pois qualquer perda de produtividade pode levar a uma elevação adicional nas cotações internacionais.
Com o cenário atual, clima, oferta mundial e ritmo da colheita brasileira permanecem como fatores-chave que direcionarão o comportamento dos preços do açúcar e do etanol no segundo semestre de 2026.











