Previa: A partir de hoje, empresas e consumidores têm acesso a um manual online gratuito que combate práticas enganosas na comunicação sobre ações socioambientais. Uma inteligência artificial foi desenvolvida para auxiliar na orientação sobre o tema.
Iniciativas de comunicação responsável ganham destaque com o lançamento de um manual de comunicação anti-washing, disponível a partir desta terça-feira (4). A ferramenta, que pode ser acessada gratuitamente, visa orientar empresas na divulgação de suas ações socioambientais e práticas de governança, evitando a desinformação e a manipulação de dados.
Desenvolvido pela Plataforma de Ação Para Comunicar e Engajar (Pace), uma iniciativa do Pacto Global das Nações Unidas (ONU) – Rede Brasil, o manual oferece diretrizes práticas para que as empresas comuniquem suas agendas ESG (ambiental, social e de governança) de forma clara e honesta.
“É uma ferramenta com checklists e metodologia destinadas a conselhos de administração, profissionais de marketing, comunicação, sustentabilidade e compliance jurídico. Todas as camadas de profissionais podem utilizar”, explica Ana Urquiza, gerente de Comunicação e Sustentabilidade Corporativa do Pacto Global da ONU.
O conceito de anti-washing surge como uma resposta ao greenwashing, termo que se refere a práticas ambientais enganosas. Com o tempo, o conceito se expandiu para incluir o social washing e governance washing, que tratam de comunicações enganosas em outras áreas. O novo manual busca combater essas práticas, promovendo uma comunicação mais ética e transparente.
Inteligência artificial como aliada
Além do manual, uma inteligência artificial foi criada para responder dúvidas sobre comunicação e práticas ESG. Segundo Ellen Bileski, diretora executiva da Ecomunica e cocriadora das ferramentas, a IA foi projetada para oferecer suporte às equipes de comunicação, ajudando a transmitir boas práticas de forma confiável.
“Muitas vezes as empresas deixam de comunicar ações legais porque têm medo de cair nessa coisa do escrutínio, do washing”, afirma Bileski.
O assistente virtual, que opera dentro do ChatGPT, pode ser utilizado para revisar narrativas institucionais, criar campanhas e avaliar riscos, além de ajudar consumidores a discernir a veracidade de campanhas publicitárias.
Os conteúdos do manual foram utilizados para treinar a inteligência artificial, que também incorpora diretrizes do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e padrões internacionais como os da Global Reporting Initiative (GRI) e do International Sustainability Standards Board (ISSB).
Com base nos pilares de ética, evidência e engajamento, as ferramentas foram desenvolvidas para garantir que as empresas comuniquem apenas o que pode ser comprovado, de forma transparente e acessível. Ana Urquiza destaca a importância de disponibilizar informações que permitam à comunidade verificar a veracidade das práticas divulgadas.
Essas iniciativas representam um avanço significativo na promoção de uma comunicação mais responsável e na luta contra a desinformação no campo socioambiental. O acesso a essas ferramentas pode contribuir para um mercado mais ético e sustentável.











