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União Europeia mantém embargo à carne brasileira; retomada pode levar até dois anos

A União Europeia impõe novas restrições às importações de produtos de origem animal do Brasil, o que pode atrasar a retomada das exportações de carne bovina por até dois anos.

União Europeia mantém embargo à carne brasileira; retomada pode levar até dois anos

Previa: A União Europeia impõe novas restrições às importações de produtos de origem animal do Brasil, o que pode atrasar a retomada das exportações de carne bovina por até dois anos. O bloqueio, que entra em vigor em setembro, reflete exigências rigorosas sobre o uso de antimicrobianos na produção pecuária.

A partir de 3 de setembro, as exportações brasileiras de carne bovina, carne de frango e mel para a União Europeia enfrentarão um bloqueio significativo. A decisão foi tomada após o Brasil ser retirado da lista de países aptos a atender as novas normas de controle de antimicrobianos, que não estão relacionadas à qualidade sanitária dos produtos, mas sim ao monitoramento dessas substâncias durante todo o ciclo produtivo.

Representantes do setor pecuário estimam que a adequação às novas exigências pode levar até dois anos, especialmente para a carne bovina. Isso se deve ao fato de que será necessário acompanhar um ciclo completo de produção do gado, garantindo que os animais sejam criados sob as novas regras estabelecidas pela legislação europeia.

Impacto nas Exportações e Medidas de Controle

Enquanto o ciclo produtivo do gado de corte é longo, o setor avícola pode ter uma recuperação mais rápida. O tempo de criação dos frangos é de aproximadamente 45 dias, o que pode permitir uma retomada das exportações em um prazo menor, caso as novas práticas sejam aceitas pelas autoridades europeias.

Uma missão técnica da União Europeia visitará o Brasil no final de agosto para avaliar as medidas implementadas pelo Ministério da Agricultura. O objetivo é verificar o controle sobre o uso de antimicrobianos, que inclui fiscalizações em fábricas de ração, granjas e frigoríficos, dentro do Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC).

Apesar das ações já adotadas, como a restrição do uso de determinados antimicrobianos, a União Europeia decidiu manter o embargo até que as novas práticas sejam devidamente avaliadas. Representantes do setor afirmam que muitos frigoríficos já operam com protocolos rigorosos, mas a nova regulamentação exige um controle mais abrangente.

Desafios e Oportunidades no Mercado Europeu

Ainda que a participação da União Europeia nas exportações de carne bovina do Brasil seja menor em volume, o mercado europeu é considerado estratégico devido ao seu alto valor agregado. No setor avícola, há uma expectativa de redirecionar parte da produção destinada à Europa para o mercado interno e outros países, minimizando os impactos imediatos do bloqueio.

O embargo também afeta o mel brasileiro, que estava em expansão no mercado europeu. Exportadores enfrentam o desafio de reforçar os mecanismos de controle para evitar contaminações, mantendo a qualidade e a reputação do produto, que é amplamente produzido sob sistemas orgânicos certificados.

As próximas semanas serão cruciais para definir o futuro das exportações brasileiras de produtos de origem animal para a União Europeia. O resultado da missão técnica será determinante para as negociações entre as autoridades brasileiras e europeias, enquanto o setor se adapta às novas exigências.

A expectativa é que, se as exigências forem atendidas, as exportações possam ser retomadas gradualmente, preservando um mercado considerado vital para a pecuária e o agronegócio brasileiro.

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